O histórico IPO da SpaceX (SPCX; SPCX34), que levantou US$ 85,7 bilhões e avaliou a companhia em mais de US$ 1,75 trilhão, pode ter estabelecido um novo patamar para empresas de tecnologia e exploração espacial. No entanto, para a Argus, essa avaliação ainda está muito à frente dos fundamentos atuais do negócio e deverá levar anos para ser plenamente justificada.
A casa de análise iniciou a cobertura da Space Exploration Technologies com recomendação de manutenção (Hold), argumentando que, apesar do forte crescimento das receitas e da liderança da companhia no setor espacial, o valuation embutido no preço das ações exige um ritmo de expansão e rentabilidade que ainda precisa ser comprovado ao longo dos próximos anos.
Valuation elevado
Segundo a Argus, o IPO da SpaceX foi precificado a aproximadamente 95 vezes a receita obtida pela empresa em 2025, um múltiplo considerado extremamente elevado mesmo para companhias de crescimento acelerado.
Na avaliação do analista Steve Silver, a principal preocupação não está na capacidade de expansão da empresa, mas na distância entre o preço pago pelos investidores e a geração efetiva de resultados. O especialista observa que a SpaceX ainda não apresenta lucratividade consistente, uma vez que seu modelo operacional combina características de uma empresa de infraestrutura intensiva em capital com as de um negócio típico de venture capital, que prioriza crescimento em detrimento da geração imediata de lucro.
Dessa forma, a instituição acredita que os múltiplos de negociação da companhia deverão permanecer acima dos níveis considerados normais por um período prolongado, até que os fundamentos acompanhem a avaliação alcançada no mercado.
Volatilidade deve continuar
Desde a estreia na bolsa, as ações da SpaceX têm apresentado elevada volatilidade. Os papéis chegaram a acumular alta de até 67% em relação ao preço da oferta antes de devolver parte dos ganhos, passando a negociar cerca de 10% acima do valor do IPO.
Para a Argus, esse comportamento tende a persistir nos próximos meses. Entre os fatores apontados estão a quantidade limitada de ações disponíveis para negociação, a rápida inclusão da companhia em importantes índices acionários e a aproximação do vencimento dos períodos de lock-up, quando investidores iniciais poderão vender suas participações no mercado.
Apesar da postura cautelosa, a casa de análise não descarta uma revisão positiva de sua recomendação. Segundo a Argus, um eventual recuo expressivo das ações por motivos não relacionados aos fundamentos da empresa ou uma aceleração das receitas e da lucratividade acima das expectativas poderiam tornar o investimento mais atrativo.
A análise sugere que o debate em torno da SpaceX não está centrado em seu potencial tecnológico ou em sua posição competitiva, mas na velocidade com que esse potencial será convertido em resultados financeiros capazes de sustentar uma das maiores avaliações já atribuídas a uma empresa em sua estreia na bolsa.
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