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Safra eleva preço-alvo da Hypera (HYPE3) com melhora no ciclo de caixa; ação pode subir mais de 40%

Safra eleva preço-alvo da Hypera (HYPE3) com melhora no ciclo de caixa; ação pode subir mais de 40%

Banco mantém recomendação outperform e destaca redução das despesas financeiras, ganhos de participação e queda da alavancagem

A redução de 35 dias no ciclo de caixa da Hypera (HYPE3) na comparação anual no segundo trimestre levou o Safra a elevar o preço-alvo das ações de R$ 29,50 para R$ 30. O novo valor representa potencial de valorização de 42% sobre a cotação de R$ 21,17 utilizada como referência pelo banco.

Para o Safra, a melhora aumenta a geração de caixa, reduz as despesas financeiras e pode acelerar a desalavancagem da companhia. Esses efeitos compensam os ajustes mais cautelosos nas projeções operacionais e reforçam a recomendação de compra* *para HYPE3.

Na avaliação dos analistas Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, a tese de investimento também está apoiada nos ganhos de participação de mercado e nos lançamentos capazes de ampliar o mercado endereçável da fabricante de medicamentos.

“Continuamos construtivos com três pilares principais para a tese de investimento da Hypera: ganhos de participação de mercado; novos lançamentos, que podem ampliar o mercado endereçável; e geração de caixa combinada com uma estrutura de capital melhor”, afirmou o Safra.

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Caixa reforça tese da Hypera

O ciclo de caixa mede quanto tempo a empresa leva para transformar suas operações em recursos disponíveis. A redução observada no segundo trimestre surpreendeu o Safra, que esperava estabilidade no indicador.

Com a melhora, o banco reduziu suas estimativas para as despesas financeiras líquidas em 10% para 2026, 20% para 2027 e 30% para 2028. A expectativa é que a maior geração de caixa permita à Hypera diminuir a dívida mais rapidamente e, consequentemente, reduzir os juros pagos.

“Reduzimos nossas estimativas de despesas financeiras líquidas em 10% em 2026, 20% em 2027 e 30% em 2028, pois agora incorporamos um ciclo de caixa melhor, que deve sustentar maior geração de caixa e, consequentemente, uma desalavancagem mais rápida”, explicou o Safra.

A relação entre dívida líquida e Ebitda, que estava em 2,1 vezes no segundo trimestre, deve cair para 1,5 vez em 2027 e 1,1 vez em 2028. Essa trajetória tende a aumentar a parcela do resultado operacional que chega ao lucro líquido.

O Safra projeta receita líquida de R$ 9,2 bilhões e Ebitda de R$ 2,95 bilhões para 2026. A estimativa para o lucro líquido é de R$ 1,94 bilhão, valor 2% inferior à projeção anterior.

A revisão negativa do lucro para 2026 e 2027 decorre, sobretudo, da expectativa de que a Hypera limite a distribuição de juros sobre capital próprio a R$ 750 milhões, reduzindo o benefício tributário considerado anteriormente. Para 2028, entretanto, a previsão de lucro foi elevada em 5%, para R$ 2,65 bilhões.

HYPE3 negocia abaixo da média histórica

Para o Safra, a melhora financeira ainda não está totalmente refletida na cotação. HYPE3 negocia a 6,7 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média de 7,9 vezes registrada nos últimos dois anos.

“Entendemos que o atual nível de valuation, de 6,7 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica de 7,9 vezes, pode representar um bom ponto de entrada para as ações”, avaliou o banco.

O preço-alvo de R$ 30 foi calculado por fluxo de caixa descontado, com custo médio ponderado de capital de 12,4%. A avaliação pressupõe que a companhia consiga confirmar a recuperação dos resultados e manter a trajetória de redução do endividamento.

Outro fator que sustenta a recomendação é o desempenho comercial. Segundo o relatório, a Hypera cresce acima do mercado de medicamentos sem patente desde o terceiro trimestre de 2025. No segundo trimestre deste ano, as vendas da companhia avançaram 8%, ante crescimento de 5% do mercado analisado.

Os novos medicamentos também podem ampliar as fontes de receita. Excluindo os produtos à base de semaglutida, o Safra calcula que os lançamentos recentes e aqueles ainda em processo de aprovação regulatória representam um mercado potencial de R$ 6,2 bilhões.

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Semaglutida pode elevar preço-alvo

O cenário-base do Safra não inclui receitas do Semavy, medicamento da Hypera à base de semaglutida. O produto ainda aguarda a definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED.

Caso as vendas sejam incorporadas a partir do terceiro trimestre de 2026, o banco estima que o Ebitda da Hypera poderia aumentar 6% em 2027 e 2028. O efeito sobre o lucro líquido seria de aproximadamente 7% nos dois anos.

“Nosso cenário-base não considera as vendas de produtos à base de semaglutida, pois o medicamento da Hypera ainda aguarda a definição de preço pela CMED. Com esse cenário, nosso preço-alvo subiria para R$ 33, com potencial de valorização de 56%”, apontou o relatório.

A semaglutida funciona, portanto, como uma possibilidade adicional de geração de valor, sem ser necessária para justificar a recomendação atual.

A tese permanece sujeita a riscos. Uma competição mais intensa pode pressionar os preços dos medicamentos genéricos e as margens da companhia. Problemas na execução dos lançamentos, aumento do custo ou escassez de matérias-primas e eventuais mudanças nas jornadas de trabalho também podem comprometer as projeções.

Para o Safra, porém, o desconto das ações, a melhora da geração de caixa e os ganhos de participação oferecem uma combinação favorável. O principal teste será confirmar se a recuperação operacional conseguirá caminhar junto com a redução do endividamento nos próximos trimestres.