O BTG Pactual (BPAC11) avalia que a decisão da Petrobras (PETR4) de rescindir antecipadamente dois contratos de embarcações da Oceânica representa um caso isolado, com impacto limitado sobre a OceanPact (OPCT3). Em relatório divulgado após questionamentos de investidores sobre o tema, o banco reiterou a recomendação de compra (BUY) para as ações da companhia, considerada sua principal aposta entre as small caps do setor de óleo e gás.
A Petrobras rescindiu os contratos das embarcações SUB XIII, do tipo AHTS, com efeito em 19 de maio, e SUB XVIII, do tipo RSV, com efeito em 31 de julho. Segundo o relatório, a Oceânica havia solicitado formalmente, em abril, a extensão dos prazos de mobilização dos dois navios, mas a Petrobras não aceitou o pedido e posteriormente encerrou os contratos, alegando cláusulas relacionadas aos prazos de mobilização.
Em sua teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, a Oceânica afirmou que as duas embarcações permanecem plenamente operacionais e que, neste momento, a expectativa é de que sejam realocadas para o contrato de inspeção de cascos (Hull Inspection), enquanto a empresa avalia outras oportunidades comerciais.
A companhia também informou discordar das rescisões e das penalidades propostas pela Petrobras e que está recorrendo aos mecanismos previstos nos contratos para contestar as decisões.
Disputa tem pouco impacto sobre OceanPact
Na avaliação do BTG, o episódio deve ser interpretado como uma disputa contratual específica da Oceânica, sem implicações relevantes para a OceanPact. O banco considera que o pedido de extensão dos prazos de mobilização pode indicar dificuldades relacionadas à preparação das embarcações antes do início dos contratos.
Ao mesmo tempo, os analistas avaliam que a Petrobras pode ter aproveitado a questão dos prazos de mobilização para evitar a incorporação de novos contratos de afretamento ao seu balanço.
O desfecho da disputa ainda é incerto, mas o BTG destaca um ponto considerado relevante: as duas embarcações cujos contratos foram rescindidos já estavam operando para a Petrobras no âmbito do contrato de inspeção de cascos.
Caso a estatal continue necessitando de capacidade AHTS e RSV, os contratos poderão voltar a ser ofertados no mercado. Nesse cenário, segundo o banco, poderiam surgir oportunidades tanto para a própria Oceânica renegociar os contratos quanto para a OceanPact participar de uma eventual concorrência.
O BTG cita especificamente a possibilidade de a OceanPact disputar contratos com a embarcação Badejo, do tipo RSV, e, após a conclusão da fusão, com uma das embarcações AHTS da CBO.
Apesar do episódio envolvendo a Oceânica, o BTG manteve sua visão positiva para a OceanPact. A tese de investimento do banco é sustentada principalmente pela melhora do desempenho operacional e financeiro da companhia, pelo possível avanço das discussões com a Petrobras relacionadas aos claims da UP e pela expectativa de conclusão da fusão com a CBO.
O relatório destaca que a reprecificação dos contratos realizada nos últimos anos começa a se refletir nos resultados financeiros da OceanPact, contribuindo para um momento positivo de crescimento dos lucros.
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