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Heineken ganha prateleiras no Brasil e amplia market share

Heineken ganha prateleiras no Brasil e amplia market share

Eisenbahn cresceu dois dígitos; e Amstel avançou em meados de um dígito no segmento mainstream, onde se concentra o grosso dos volumes da Ambev

A Heineken está “ganhando as prateleiras do Brasil” e, consequentemente, market share, aponta relatório do BTG Pactual divulgado nesta quarta-feira (11). Apesar de a indústria ter encolhido em meados de um dígito em 2025, a companhia reportou ganhos “significativos” de participação em volume e valor com base em dados de sell-out. No ano, a receita caiu em baixa de um dígito, refletindo preços maiores que compensaram parcialmente volumes mais fracos.

Segundo o BTG, a gestão da Heineken atribuiu o pano de fundo mais fraco a menor renda real disponível e à retirada de subsídios a famílias de menor renda — e, curiosamente, não mencionou clima. Mesmo assim, o Brasil segue como mercado prioritário, com foco contínuo em marketing e vendas. A recém-inaugurada fábrica em Passos (MG), fruto de investimento de R$ 2,5 bilhões e com adição de 5 milhões de hl, deve ser altamente positiva para custos e eficiência logística.

No país, os volumes da Heineken caíram em meados de um dígito, em linha com a indústria e com a projeção do BTG para a Ambev (-4,4%). A cervejaria apontou ainda um ajuste pontual de estoques nos revendedores, pressionando o sell-in no início do ano e explicando a divergência para um sell-out mais forte. Por marcas, a Heineken cedeu volume com o reset de estoques, mas ganhou share; Eisenbahn cresceu dois dígitos; e Amstel avançou em meados de um dígito no segmento mainstream, onde se concentra o grosso dos volumes da Ambev.

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O que pode piorar para a Ambev?

Para a Ambev, que negocia a 16 vezes o múltiplo de preço sobre lucro (P/L) para 2026, o BTG mantém recomendação neutra e destaca que as expectativas já embutem baixo crescimento de volumes e altas modestas de preço, com pouco espaço para expansão de margens.

Nesse contexto, os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla escrevem: “O ponto-chave que temos destacado aos clientes é: ‘o que, realisticamente, ainda pode piorar daqui?’”. Eles ponderam que “olhar para a Ambev apenas pelo P/L pode ser enganoso” e que “acreditamos que a ação deve continuar a negociar em uma faixa relativamente estreita”.

O banco lembra que a performance da Ambev se correlaciona à de pares globais, com investidores arbitrando prêmios de valuation. Apesar de um rerating parecer improvável sem aceleração de crescimento, o downside seria amortecido por geração de caixa robusta, balanço forte e risco limitado de novas revisões negativas de lucros, concluem os analistas.

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