Home
Notícias
Ações
Gerdau: Safra vê cenário melhor e eleva preço-alvo

Gerdau: Safra vê cenário melhor e eleva preço-alvo

Analistas elevam preço-alvo para R$ 30 e vê potencial de valorização com base em margens resilientes e menor risco no cenário de tarifas

O Banco Safra elevou o preço-alvo da Gerdau para R$ 30 por ação, de R$ 25,5 anteriormente, e reiterou a recomendação de compra, apoiado por uma perspectiva mais positiva para a operação na América do Norte e pela expectativa de melhora na geração de caixa.

A revisão incorpora um cenário mais favorável para preços do aço nos Estados Unidos e menor impacto negativo de um eventual redesenho do acordo comercial da região.

“A melhora nas expectativas para o aço nos EUA e um cenário menos adverso vindo do USMCA (United States-Mexico-Canada Agreement) mais do que compensam o impacto de um real mais forte”, afirmam os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.

USMCA e operação na América do Norte

Segundo o Safra, o mercado ainda superestima os riscos de normalização tarifária total no comércio de aço na América do Norte, o que tende a sustentar margens mais elevadas por prazo mais longo. A instituição trabalha com um cenário de “USMCA zumbi”, marcado por acordos bilaterais e tarifas estruturalmente mais altas, em vez de uma reconfiguração completa do acordo trilateral.

Publicidade
Publicidade

“Acreditamos que o mercado ainda superestima o risco de normalização plena das tarifas e subestima a sustentabilidade de margens mais elevadas no aço nos EUA”, dizem Monegaglia e Isidoro.

Nesse contexto, o impacto negativo potencial sobre o EBITDA da Gerdau na América do Norte seria limitado, entre 7% e 9%, significativamente abaixo dos cerca de 19% implícitos nas projeções de consenso de mercado no longo prazo.

Gerdau
(Imagem: Divulgação/ Gerdau)

Projeções, múltiplos e geração de caixa

Com a revisão de premissas, o Safra projeta EBITDA de R$ 12,6 bilhões em 2026 e de R$ 14,5 bilhões em 2027, com potencial de alta de cerca de 1% e 14%, respectivamente, frente às estimativas consensuais. A margem EBITDA da operação norte-americana foi elevada para cerca de 24% em 2026-2027, acima do consenso.

“A incorporação dessas premissas nos leva a margens mais elevadas e a um potencial de alta relevante, principalmente a partir de 2027”, afirmam os analistas.

Além disso, a avaliação destaca que a Gerdau negocia a múltiplos considerados atrativos, a 4,1 vezes o EBITDA estimado para 2026 e 3,3 vezes para 2027, abaixo de pares norte-americanos e em linha ou levemente abaixo da média histórica da companhia.

Brasil ainda desafiador, mas com gatilhos

Para a operação brasileira, o Safra mantém uma postura mais cautelosa, com projeção de margem EBITDA de 9,5% em 2026 e cerca de 15,5% no longo prazo, refletindo um ambiente de demanda mais fraca e estoques elevados ao longo da cadeia.

Ainda assim, há vetores de melhora no radar, como o avanço do projeto Miguel Burnier e possíveis medidas de proteção comercial contra importações asiáticas, que podem favorecer preços e utilização de capacidade.

“No Brasil, seguimos cautelosos no curto prazo, mas vemos potencial de alta caso medidas antidumping reduzam importações e permitam melhora gradual de preços e margens”, concluem Monegaglia e Isidoro.