O mercado de IPOs dos Estados Unidos vive um boom em 2026, após quatro anos de ofertas públicas reduzidas. Cerca de 50 empresas abriram capital no país até agora — aproximadamente o dobro do mesmo período do ano passado —, e o volume de emissões já está em torno de US$ 120 bilhões, empatando com o recorde anual registrado em 2021, segundo análise do Goldman Sachs.
“Em certa medida, o que está acontecendo é apenas uma recuperação normal”, avalia Ben Snider, estrategista-chefe de ações americanas do Goldman Sachs.
Para o analista, a aceleração reflete o retorno de grandes empresas ao mercado e a imensa demanda por capital para financiar o desenvolvimento da inteligência artificial — dois fatores que distinguem o atual ciclo dos anteriores.
Semelhanças com bolhas do passado preocupam investidores
Apesar do diagnóstico mais benigno, Snider reconhece que há elementos que lembram os picos históricos de mercado.
“A real preocupação dos investidores é: ‘Isso indica um ambiente eufórico que marca o topo das bolhas?'”, destaca o estrategista.
Valuations elevados, confiança dos investidores em alta e foco em mudanças tecnológicas — desta vez lideradas pela IA — são características que o ambiente atual compartilha com os episódios de 2000 e 2021.
A surge de ofertas também reflete sentimento positivo tanto da parte das gestões corporativas quanto dos investidores institucionais, um sinal típico de momentos de apetite elevado por risco. Entretanto, o Goldman ressalta que os valuations, embora altos, ainda não atingiram os níveis extremos observados em 2021 ou no estouro da bolha pontocom em 2000.

Número de IPOs ainda longe dos picos históricos
A principal diferença entre 2026 e os episódios anteriores de euforia está no volume de operações. Nos últimos 25 anos, o mercado americano registrou em média cerca de 100 IPOs por ano — ritmo próximo ao atual. Em contraste, foram mais de 250 ofertas em 2021 e quase 400 em 1999, patamares muito superiores ao observado hoje.
“Embora o volume em dólares seja bastante elevado e estejamos vendo uma aceleração na atividade, para mim ainda parece que estamos longe daquele nível de sentimento eufórico que vimos nesses episódios”, conclui Ben Snider.
Para o Goldman Sachs, o mercado atual reflete uma recuperação saudável, ainda que mereça monitoramento atento diante das semelhanças com ciclos anteriores de exuberância.






