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Estrangeiro compra Brasil via EWZ, mas small caps ficam para trás

Estrangeiro compra Brasil via EWZ, mas small caps ficam para trás

ETF americano tem apenas 48 posições contra 85 do Ibovespa, e inclui Nubank, XP e Stone, que nem são listadas na B3

Quando um investidor estrangeiro decide comprar Brasil, ele quase nunca compra o Ibovespa. Ele compra o EWZ — o principal ETF de Brasil negociado em Nova York, que replica o MSCI Brazil Index.

A confusão entre os dois índices é comum, mas cara: ela esconde uma assimetria estrutural que divide a bolsa brasileira em dois mundos distintos, com implicações diretas para quem investe localmente.

A diferença começa na composição. O Ibovespa reúne 85 ações de empresas listadas na B3. O EWZ tem apenas 48 posições — e, dentro delas, carrega nomes que sequer existem na bolsa doméstica.

O Nubank (ROXO34) representa cerca de 11% do EWZ, um peso equivalente ao da própria Vale (VALE3) dentro do ETF, ainda que não esteja presente no Ibovespa”, aponta o Bradesco BBI.

XP (XPBR31), Stone (STOC34) e JBS (JBSS32) completam a lista de empresas que integram o ETF americano sem figurar no índice brasileiro — todas listadas no exterior.

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Área de sombra

Essa diferença de composição cria o que o banco chama de “área de sombra”: uma superfície de contato suficientemente grande para que o movimento do EWZ se reflita no Ibovespa, mas insuficiente para que o fluxo estrangeiro alcance a totalidade das empresas listadas na B3.

O resultado é um mercado que sobe, mas não de forma homogênea; um mercado em que poucos nomes recebem a maior parte do impulso, enquanto grande parte do Ibovespa — e praticamente todo o segmento de small caps — permanece à margem dessa primeira rodada de alocação”, destaca o relatório.

A concentração é visível nos números.

Os dez maiores nomes do EWZ respondem por cerca de 58% do ETF. Vale, Petrobras (PETR4), grandes bancos e líderes setoriais dominam o topo. Abaixo dessa camada, o fluxo internacional simplesmente não chega — não por falta de fundamentos, mas por construção de portfólio.

“É essa combinação de fatores que mantém o ratio Small/Ibov nos níveis mais deprimidos dos últimos quinze anos”, alerta o Bradesco BBI.

As small caps

É justamente aí que o banco enxerga a oportunidade. Uma segunda fase do ciclo, mais difusa e menos dependente do fluxo passivo via EWZ, poderia beneficiar empresas com fundamentos sólidos que seguem negociando a múltiplos descontados.

O banco lista 22 nomes nesse perfil: 3tentos (TTEN3), Marcopolo (POMO4), Cyrela (CYRE3), Cury (CURY3), Direcional (DIRR3), MRV (MRVE3), Assaí (ASAI3), Smart Fit (SMFT3), C&A (CEAB3), Yduqs (YDUQ3), Isa Energia (ISAE4), Vamos (VAMO3), Simpar (SIMH3), EcoRodovias (ECOR3), Grupo GPS (GPSS3), Dexco (DXCO3), Brava (BRAV3), Copasa (CSMG3), Hypera (HYPE3), Allos (ALOS3), Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTA3).

“À medida que o ciclo doméstico evolui, nomes desse perfil tendem a se beneficiar de um ambiente mais favorável ao investidor local e ao stock picking”, conclui o relatório.