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Engie pagou valor acima do justo por Jirau, avaliam analistas

Engie pagou valor acima do justo por Jirau, avaliam analistas

Modelo da Genial avalia 100% de Jirau em R$ 11,4 bilhões, cerca de 12% abaixo dos R$ 14,1 bilhões usados no laudo independente

A Genial Investimentos manteve recomendação de manter para as ações da Engie Brasil (EGIE3) após analisar a aquisição da participação de 40% na UHE Jirau por R$ 5,744 bilhões. O preço pago é o principal ponto de atenção: a Genial estima que o ativo vale R$ 11,4 bilhões pelo controle total, contra os R$ 14,1 bilhões usados como base no laudo de avaliação independente.

“Reconhecemos que a incorporação de Jirau adiciona à Engie Brasil um ativo operacional de grande escala, renovável, com vida contratual longa e relevância estratégica, mas a qualidade do ativo não elimina o principal ponto de atenção da operação: o preço”, afirmou o analista Vitor Sousa, da Genial Investimentos.

A transação ocorre entre partes relacionadas e será financiada por uma oferta primária de ações de até R$ 8,4 bilhões, caso exercida a alocação adicional em dinheiro.

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Um ativo de primeira linha com preço acima do justo

A UHE Jirau é uma das maiores hidroelétricas do país, com 3.750 MW de capacidade instalada no Rio Madeira, em Rondônia. A concessão, originalmente outorgada em 2008, vai até dezembro de 2045.

O projeto nasceu no contexto do Complexo do Rio Madeira e do PAC, quando o Brasil buscava ampliar a oferta de energia de base. A usina só passou a fazer sentido ser incorporada pela listada agora porque os riscos de construção foram superados e a estrutura financeira amadureceu.

A Genial construiu um modelo próprio para avaliar Jirau e chegou a premissas distintas das do laudo.

“O valor justo por 100% de Jirau é R$ 11,4 bilhões, versus R$ 14,1 bilhões no laudo de avaliação, um desconto de cerca de 12%”, calculou Sousa. Pelo preço proposto de R$ 5,7 bilhões pela fatia de 40%, a TIR implícita em termos reais seria de apenas 6,0%, muito abaixo dos cerca de 7,6% que o Tesouro 2055 oferece em termos reais.

Direito de prioridade é defensivo, não atrativo

A operação depende de aprovação em Assembleia Geral Extraordinária, com a controladora Engie Brasil Participações impedida de votar nas deliberações sobre o laudo e os termos da transação. Os acionistas têm direito de prioridade para acompanhar a emissão e evitar diluição. “Esse mecanismo tem caráter mais defensivo do que propriamente atrativo do ponto de vista de geração de valor”, avaliou Sousa.

“Apesar de Jirau ser um ativo de alta qualidade e fazer sentido estratégico dentro da plataforma da Engie, não enxergamos, nos termos atuais, uma assimetria suficientemente favorável para justificar novo aporte dos minoritários na oferta”, disse o analista da Genial.

A Engie tem histórico de execução e pode capturar ganhos de eficiência, novos contratos e otimização operacional que o modelo da casa não captura integralmente.

O contexto de mercado também pesa na decisão.

“Nossa recomendação passa pelo momento da bolsa e do setor: altas taxas de juros e valuations deprimidos ao longo de diversos setores. Ao não enxergarmos uma oportunidade fácil do ponto de vista dos termos da aquisição, isso nos faz redobrar a nossa atenção a cada alocação nova”, concluiu Vitor Sousa, reiterando a recomendação de manter para EGIE3.

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