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Energisa: revisão do Fator X pode adicionar 5% em valor, calcula BBI

Energisa: revisão do Fator X pode adicionar 5% em valor, calcula BBI

Banco reduziu o preço-alvo das units de R$ 63 para R$ 60 ao atualizar o custo de capital no modelo, mantendo recomendação neutra

O Bradesco BBI atualizou nesta segunda-feira (20) suas estimativas para a Energisa (ENGI11) e reduziu o preço-alvo das units para o fim de 2026 de R$ 63 para R$ 60, reflexo principalmente do maior custo de capital próprio usado no modelo.

A recomendação neutra foi mantida, mesmo com uma lista de fatores regulatórios e operacionais que podem beneficiar a elétrica nos próximos anos.

Entre os ajustes incorporados estão a provável revisão positiva do componente de produtividade (Pd) do Fator X, em consulta pública na Aneel, o aumento esperado do volume de vendas de energia no segundo semestre de 2026 com os efeitos do El Niño, a venda recente de ativos de transmissão e a captação de R$ 1,4 bilhão por meio de instrumentos híbridos — além de premissas macroeconômicas mais duras.

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“Passamos a projetar crescimento médio anual do Ebitda de aproximadamente 9% entre 2026 e 2030, sustentado pelas revisões tarifárias previstas entre 2028 e 2030, pela agenda regulatória favorável do setor de distribuição e pela reconhecida eficiência operacional da companhia”, escreveram os analistas Francisco Navarrete e Ricardo França.

Fator X e El Niño na conta

O componente em discussão na Aneel é peça-chave da tese. O Fator X ajusta as tarifas das distribuidoras conforme os ganhos de produtividade do setor, e a fórmula atual, na visão do banco, ficou para trás em relação à realidade das redes.

“A proposta da Aneel para revisão da metodologia do fator Pd reduz um importante risco regulatório do setor ao atualizar uma fórmula que atualmente se baseia em dados defasados e que não refletem adequadamente o avanço da geração distribuída nem o aumento dos investimentos necessários para expansão e modernização das redes”, avaliaram os analistas do BBI.

Pelas contas do banco, a mudança regulatória tem potencial de adicionar cerca de 5% ao valor presente da companhia.

Por que a recomendação segue neutra

Nem o vento regulatório a favor, porém, foi suficiente para tirar o banco da posição de espera.

“Mantemos recomendação neutra para as units da Energisa, avaliando que a relação entre risco e retorno permanece equilibrada nos níveis atuais”, apontaram Navarrete e França.

A explicação está no ponto de partida do papel na bolsa.

“Entendemos que parte relevante desses fatores já está refletida na avaliação do ativo”, ponderaram os analistas.

Nos números, a ação negocia com uma taxa interna de retorno real implícita perto de 11% — acima do rendimento das NTN-Bs, os títulos públicos atrelados ao IPCA, mas ainda abaixo do observado nas principais preferências do banco em infraestrutura e utilities.

A síntese do relatório reconhece os méritos da companhia sem transformá-los em recomendação de compra.

“Seguimos vendo a Energisa como uma empresa de elevada qualidade operacional, bem posicionada para capturar ganhos regulatórios e manter disciplina na gestão de custos, mas com potencial de valorização mais equilibrado quando comparado a outras oportunidades de nossa cobertura”, concluíram Navarrete e França.