As empresas de saúde listadas na bolsa brasileira devem apresentar resultados mais moderados no terceiro trimestre de 2026 (3T26), com crescimento mais lento da receita e expansão limitada das margens operacionais. A avaliação é do BTG Pactual (BPAC11), que divulgou uma prévia dos balanços do setor e destacou que a comparação com o forte desempenho registrado no mesmo período de 2025 deve pressionar os indicadores.
Apesar da perspectiva de um trimestre mais fraco, o banco avalia que as tendências operacionais das companhias permanecem relativamente estáveis. Nesse cenário, a execução de cada empresa deve continuar sendo um fator decisivo para diferenciar os resultados.
Na análise do BTG, Mater Dei (MATD3) e Fleury (FLRY3) devem se destacar positivamente, enquanto Rede D’Or (RDOR3) e Bradsaúde tendem a apresentar um trimestre sólido, sem grandes surpresas. Já a Hapvida deve continuar enfrentando dificuldades operacionais.
Hospitais enfrentam pressão sobre ocupação e margens
O segmento hospitalar deve sentir os efeitos da sazonalidade menos favorável. Dados da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), citados pelo BTG, indicam que a taxa média de ocupação hospitalar ficou em 76,4% em julho e agosto, 2,72 pontos percentuais abaixo do registrado nos mesmos meses de 2025.
A menor ocupação, combinada com uma base de comparação elevada, tende a pressionar as margens das companhias hospitalares no trimestre.
Na Rede D’Or, o encerramento do contrato com a Postal Saúde também deve contribuir para o desempenho mais moderado. Segundo a estimativa do banco, o contrato representava aproximadamente 2% do volume consolidado da companhia.
Por outro lado, o Mater Dei deve manter um desempenho mais forte, com crescimento da receita superior a 10%, aumento da taxa de ocupação e melhora do tíquete médio. Esses fatores podem ajudar a empresa a se destacar entre as companhias do segmento.
Planos de saúde apresentam tendências distintas
No segmento de planos de saúde, o crescimento da carteira de beneficiários continua favorecendo algumas das principais operadoras, mas a evolução da sinistralidade apresenta diferenças importantes entre as empresas.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o setor registrou adição líquida de 109 mil beneficiários em julho e agosto. A Bradesco Saúde liderou o movimento, com 67 mil novos beneficiários, seguida pela SulAmérica, com 45 mil. Na direção oposta, o grupo Hapvida perdeu 88 mil beneficiários no período.
Na avaliação do BTG, a SulAmérica continua sendo um destaque positivo dentro da Rede D’Or, com expectativa de nova melhora da sinistralidade. O indicador mede a relação entre as despesas assistenciais e as receitas dos planos de saúde: quanto menor a proporção, maior tende a ser o espaço para rentabilidade, mantidas as demais condições.
Para a Bradsaúde (SAUD3), o banco espera uma sinistralidade maior em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando a base de comparação foi mais forte. Além disso, um resultado financeiro mais fraco deve limitar o lucro líquido a um patamar próximo de R$ 1 bilhão.
Já para a Hapvida (HAPV3), a expectativa é de continuidade das dificuldades ao longo do terceiro trimestre. O BTG não prevê uma inflexão significativa dos resultados antes do quarto trimestre de 2026, enquanto a companhia prossegue com o processo de ajuste de sua carteira de beneficiários.
Fleury deve crescer, enquanto Dasa e Viveo buscam eficiência
Entre as empresas de medicina diagnóstica, o Fleury deve apresentar crescimento orgânico consistente. Entretanto, a integração da Femme, rede especializada em saúde feminina, tende a diluir a margem consolidada no período.
Na Dasa (DASA3), a redução do endividamento e a geração de caixa permanecem como os principais pontos de atenção para a tese de investimento. A capacidade de fortalecer a estrutura financeira será determinante para a avaliação da companhia pelos investidores.
A Qualicorp (QUAL3), por sua vez, deve continuar registrando redução em sua base de beneficiários nos números reportados. Segundo o BTG, porém, o desempenho tende a ser melhor quando desconsiderada a operadora cuja operação foi descontinuada.
A Viveo (VVEO3) deve manter a trajetória de recuperação das margens. Ainda assim, as despesas financeiras provavelmente consumirão boa parte do caixa gerado, limitando os benefícios da melhora operacional sobre a posição financeira da empresa.
O que esperar das empresas de saúde no 3T26
A prévia do BTG Pactual aponta para um trimestre de crescimento mais moderado e pouca expansão de margens para as empresas de saúde, em grande parte devido à comparação com os resultados mais fortes do ano anterior.
O cenário, contudo, não é uniforme. Mater Dei e Fleury aparecem entre os destaques positivos esperados, enquanto Rede D’Or e Bradsaúde devem apresentar resultados sólidos, ainda que sem grandes surpresas. A Hapvida permanece como o principal ponto de atenção, diante da expectativa de recuperação operacional apenas mais adiante.
Para os investidores, os principais indicadores a acompanhar serão as taxas de ocupação hospitalar, a evolução da sinistralidade dos planos de saúde, o crescimento das carteiras de beneficiários, as margens operacionais e a geração de caixa. Esses fatores devem ajudar a identificar quais companhias conseguirão preservar a rentabilidade em um trimestre marcado por uma base de comparação exigente.
Leia também:






