O Banco do Brasil (BBAS3) deve enfrentar mais um trimestre de forte pressão sobre os resultados, levando o BTG Pactual (BPAC11) a manter uma visão cautelosa em relação às ações da instituição. Em relatório, o banco de investimentos estima que o lucro antes dos impostos pode cair de 50% a 60% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, para cerca de R$ 2 bilhões.
A avaliação reflete a deterioração da qualidade do crédito rural, a baixa pontualidade nos pagamentos e o avanço ainda limitado das renegociações de dívidas do agronegócio. Para o BTG, a fragilidade operacional do Banco do Brasil pode continuar comprometendo a rentabilidade não apenas neste ano, mas também em 2027.
Os analistas projetam lucro líquido próximo de R$ 1,9 bilhão no terceiro trimestre, queda de aproximadamente 50% em relação ao trimestre anterior e cerca de 50% abaixo das expectativas do mercado. Nesse cenário, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficaria próximo de 4%.
O BTG avalia ainda que, diante da deterioração esperada, uma revisão das projeções e das orientações financeiras do Banco do Brasil para o restante do ano parece ser o cenário mais provável.
Inadimplência no crédito rural pressiona resultados
Um dos principais pontos de preocupação é o baixo nível de pontualidade nos pagamentos dos clientes do Banco do Brasil. Segundo o relatório, o indicador permanece próximo de 75%, bem abaixo dos cerca de 90% considerados nas expectativas da instituição para o segundo semestre de 2026.
A diferença aumenta o risco de novas perdas e reforça a perspectiva de elevação das provisões para devedores duvidosos. O BTG estima que essas despesas possam crescer entre um dígito alto e a faixa baixa de dois dígitos percentuais no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores.
A pressão é ampliada pela concentração de vencimentos de empréstimos agrícolas no período, em meio à deterioração da qualidade do crédito rural.
O relatório também aponta que o Banco do Brasil priorizou inicialmente clientes com operações em atraso superior a 90 dias nas iniciativas de renegociação. Essa estratégia exige a análise de tomadores em situação financeira mais delicada e pode limitar a velocidade de recuperação dos pagamentos.
Renegociação de dívidas avança lentamente
Outro fator de preocupação é o ritmo de implementação da Medida Provisória 1.376, voltada à renegociação de dívidas rurais. Segundo o BTG, menos de R$ 1 bilhão havia sido renegociado por meio do novo programa até o fim de setembro.
A administração do Banco do Brasil tinha como objetivo disponibilizar sua parcela de R$ 12,5 bilhões em recursos equalizados até 12 de novembro. O avanço limitado das renegociações, porém, mantém dúvidas sobre a capacidade de o programa contribuir para a recuperação dos indicadores de crédito no curto prazo.
A medida provisória tem previsão de expirar por volta da divulgação dos resultados trimestrais do banco, marcada para 11 de novembro, segundo o relatório. Até lá, os analistas esperam obter maior clareza sobre o ritmo dos desembolsos e o potencial de contribuição do programa para uma melhora no quarto trimestre.
Crescimento da receita deve continuar limitado
Além do aumento das provisões, o desempenho operacional do Banco do Brasil deve enfrentar obstáculos relacionados ao crescimento moderado da carteira de crédito e à evolução da margem financeira.
O BTG não espera um avanço significativo da receita com juros no trimestre, considerando que o crescimento dos empréstimos permanece modesto e que o período não costuma ser particularmente forte para a margem financeira.
As receitas com tarifas devem ficar, de modo geral, em linha com as expectativas. Já as despesas operacionais também devem seguir as projeções, embora possam sofrer alguma pressão em razão do reajuste salarial aplicado em setembro.
Com isso, o aumento das provisões tende a ser o principal fator de pressão sobre o resultado final da instituição.
Leia também:






