A Fitch Ratings rebaixou o rating nacional de longo prazo da Elfa Medicamentos (ELFA12) de ‘BBB-(bra)’ para ‘B-(bra)’ — um corte de seis níveis de uma só vez —, com perspectiva negativa, sinalizando que novos rebaixamentos não estão descartados. A decisão expõe uma deterioração financeira mais grave do que a agência esperava e levanta dúvidas sobre a capacidade da companhia de honrar seus compromissos nos próximos anos.
O diagnóstico da Fitch é direto: a Elfa não consegue pagar suas dívidas com o caixa gerado pelas próprias operações. A empresa acumula queima de caixa recorrente, gasta pesado com juros — estimados em R$ 400 milhões no biênio 2026-2027 — e não tem perspectiva de reduzir sua alavancagem de forma orgânica. Com dívida total ajustada de R$ 1,8 bilhão em dezembro de 2025, a relação dívida líquida ajustada sobre EBITDAR deve se manter em 4,4 vezes até 2027, bem acima das projeções iniciais de 3,4 vezes.
Para sobreviver financeiramente, a Elfa depende de fontes não recorrentes: aportes de acionistas, venda de ativos, antecipação de recebíveis e monetização de créditos tributários — operação que a Fitch classifica como fora do negócio principal da companhia e que carrega riscos adicionais de execução. A agência projeta que entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões em créditos fiscais serão monetizados no período, sustentando temporariamente o fluxo de caixa enquanto a operação central tenta se recuperar.
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Calendário de vencimentos
O calendário de vencimentos torna o quadro ainda mais delicado. A Elfa precisa rolar R$ 147 milhões em dívidas entre 2026 e 2027, em um momento de acesso restrito ao mercado bancário e de capitais. Mais adiante, R$ 325 milhões vencem em 2028 — e a Fitch já considera relevante a probabilidade de renegociação desse montante.
A perspectiva negativa atribuída ao rating reflete exatamente esse risco: se os resultados ficarem abaixo do esperado ou a reestruturação não avançar, a agência poderá cortar o rating novamente. O EBITDAR projetado gira em torno de R$ 415 milhões em 2026 e R$ 450 milhões em 2027, com margens ainda modestas, de 9%, e baixa conversão em caixa operacional.






