O BTG Pactual publicou uma análise de crédito detalhada sobre a Dasa (DASA3), reconhecendo o progresso significativo na redução da alavancagem da companhia, mas sinalizando que os desafios estruturais ainda não foram superados.
O relatório, assinado pelos analistas Thomas Tenyi, Fernando Soares, Renan Tiburcio e Frederico Khouri, traça um panorama de recuperação em curso, porém dependente de execução consistente.
Reorganização societária
A criação da joint venture com a Amil e a venda de ativos não estratégicos foram os principais motores da melhora financeira da Dasa em 2025. A dívida líquida recuou R$ 5,8 bilhões ao longo do ano, chegando a R$ 6,7 bilhões em dezembro de 2025.
No entanto, o alívio foi parcialmente revertido no início de 2026.
“No primeiro trimestre de 2026, a dívida líquida voltou a subir, para R$ 7 bilhões, principalmente em função do consumo de capital de giro de R$ 451 milhões”, apontam Tenyi, Soares, Tiburcio e Khouri.
A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda ficou em 3,3 vezes no primeiro trimestre de 2026, ante 5 vezes no final de 2024 — uma melhora expressiva, mas ainda distante de um patamar confortável para o mercado de crédito.
Margens melhoram, mas caixa livre segue negativo
A concentração no negócio de diagnósticos após a formação da JV trouxe ganhos operacionais visíveis. A margem Ebitda Ajustada avançou para 24,9% no 1T26, contra 18,5% no mesmo período do ano anterior.
Ainda assim, os analistas destacam que essa melhora operacional ainda não se converteu em geração de caixa.
“A companhia ainda não demonstrou geração consistente de caixa livre de forma orgânica, tendo registrado queima de caixa de R$ 168 milhões no primeiro trimestre de 2026 UDM (Últimos Doze Meses), desconsiderando vendas de ativos”, escrevem Tenyi, Soares, Tiburcio e Khouri.
Para 2026, o BTG projeta geração de caixa livre negativa de R$ 55 milhões, pressionada pela despesa financeira elevada. Apenas em 2027 o banco vê espaço para um fluxo positivo modesto, de R$ 72 milhões, condicionado a uma melhora no capital de giro e na dinâmica de juros.
Refinanciamento e exposição à Rede Américas
O perfil de vencimentos da Dasa exige atenção. A companhia ainda tem R$ 1,4 bilhão vencendo em 2026 e R$ 1,1 bilhão em 2027, com necessidade estimada de captação de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para manter a liquidez atual.
A exposição indireta à Rede Américas também é apontada como um vetor de risco.
“A Rede Américas possui necessidades de refinanciamento relativamente altas, com R$ 850 milhões em vencimentos entre 2026 e 2027 e R$ 3,2 bilhões em 2028, diante de uma liquidez atual de R$ 478 milhões”, alertam os analistas.
Diante desse cenário, o BTG avalia que as debêntures da Dasa, negociadas a CDI+3,1%, embutem um prêmio relevante frente a pares do setor, como Fleury e Rede D’Or, refletindo os riscos do case.
Para o banco, “a Dasa ainda precisa demonstrar capacidade de geração orgânica de caixa e redução sustentável de dívida, em um contexto de necessidades recorrentes de refinanciamento e exposição indireta aos riscos da Rede Américas” — o que significa que o prêmio oferecido pelos papéis parece bem precificado, mas não necessariamente barato para o risco assumido.
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