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Bradesco (BBDC4) vai à Justiça contra controladores da Americanas (AMER3)

Bradesco (BBDC4) vai à Justiça contra controladores da Americanas (AMER3)

Banco apela à ironia para questionar responsabilidade de Lehmann, Sicupira e Telles na crise e quer impedi-los de vender bens.

A crise na Americanas (AMER3) ganhou mais um contorno de guerra corporativa: o Bradesco (BBDC4), um dos principais credores varejista que está em processo de recuperação judicial, pediu à Justiça que os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da empresa, sejam impedidos de vender bens e se desfazer de parte do patrimônio.

No pedido, o banco pede que os três executivos sejam proibidos de “alienar ativos com o propósito de frustrar futura ação de seus credores”, acusa a situação na Americanas como a “maior fraude corporativa da história do Brasil” e recorre ao ex-CEO Sergio Rial, que ocupou o cargo apenas por 10 dias, no início deste ano, e divulgou as fraudes nos balanços que deram origem à crise, para ironizar os controladores, considerados gurus de sucesso empresarial no páís.

“Sérgio Rial levou 10 dias para encontrar as inconsistências contábeis, mas os controladores, verdadeiros gênios do capital, à frente da companhia há 4 décadas, nada viram? Nem seus homens e mulheres de confiança?”, disse o banco em seu pedido ainda não julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Outro ex-CEO da companhia, Miguel Gutierrez, que ocupou o cargo por 20 anos até a entrada de Rial, também jogou parte da culpa aos acionistas de referência, Lemann, Telles e Sicupira, dizendo em carta enviada à CPI das Americanas na Câmara dos Deputados que eles participavam ativamente da gestão financeira da empresa. Gutierrez afirmou que está sendo feito de “bode expiatório” da crise na Americanas e também acusou Sérgio Rial de mentir em depoimento à CPI.

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Crise na Americanas (AMER3): CPI apresenta relatório sem responsáveis

O relator da CPI da Americanas, Carlos Chiodini (MDB-SC), apresentou nesta terça-feira (5) o relatório da comissão, sem apresentar nenhuma conclusão quanto aos possíveis responsáveis pela fraude. O deputado argumentou que os inquéritos policiais estão em curso, não há elementos suficientes para incriminar ninguém e seria “imprudente” fazer acusações sem provas conclusivas.

“Há fatos novos, há colaboração premiada de ex-diretores, e eu entendi que seria inconsequente neste momento acusar uma ou outra pessoa em especial. Então, esse trabalho fica para o Ministério Público Federal, fica para a Polícia Federal, e com o surgimento diário de novos fatos, logo teremos aí os responsáveis sendo incriminados”, disse.

O deputado Mauro Benevides Filho (PDT-CE) criticou a postura do relator. “Eu não acredito que duas auditorias não saibam o que aconteceu na empresa. Eu acho que a gente vai passar o sinal para as pessoas de que nós fomos incompetentes para identificar esses desvios”, afirmou.

A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) fez um apelo à comissão para a prorrogação dos trabalhos, o que não deve acontecer. A parlamentar apresentou pedidos para  a convocação de Jorge Paulo Lehmann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, mas o requerimento nem chegou a ser votado.

Em seu relatório, o deputado Carlos Chiodini também propôs quatro projetos de lei para melhorar a governança corporativa e combater a corrupção nas empresas privadas, de modo a evitar que fraudes voltem a se repetir.

Entre os projetos de lei propostos para evitar que a crise da Americanas (AMER3) se repita em outras companhias abertas, um aprimora mecanismos de responsabilização dos administradores e de acionistas controladores em sociedades anônimas e prevê ação de reparação contra auditores independentes por violação ao cumprimento de seus deveres por imperícia, imprudência ou negligência.