A plataforma chinesa Shein realizou um empréstimo de US$ 20 milhões – cerca de R$ 100 milhões – a uma controlada da Coteminas (CTNM3; CTNM4). A informação do acordo entre Coteminas e Shein foi divulgada no balanço de 2022 da varejista brasileira, publicado com um atraso de sete meses.
O anúncio do acordo chamou a atenção do mercado para o cenário de crise da empresa têxtil nos últimos meses. O empréstimo tem caráter de conversão em ações e vencimento único para três anos. Com isso, a Shein teria a opção de se tornar sócia da Coteminas.
Paralelamente, a Coteminas fechou um acordo de fornecimento de matéria-prima à Shein.
Segundo a Coteminas, o valor se refere ao acordo firmado em abril deste ano e serve para recompor o capital de giro da companhia.
Outra medida em andamento é a venda de dois complexos, residencial e comercial, do grupo, ainda sem compradores. A Coteminas encerrou o último ano com prejuízo de R$ 670 milhões, o que representa um quadro quase cinco vezes pior do que o de 2021.
Coteminas e Shein: entenda acordo
A Coteminas tem 85% de empréstimos bancários com vencimento em 2023, além de queda de 30% na receita no ano passado. Com isso, a companhia abriu uma renegociação de dívidas com as instituições.
Suas controladas pediram um “waiver” (uma espécie de perdão temporário, com adiamento no pagamento) a debenturistas.
Pareceres de auditores da Coteminas e de sua controlada Springs Global Participações (SGPS3) relatam incertezas relevantes no documento, que poderiam “levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional” dos negócios, relataram.
Na época, Coteminas e Shein assinaram um memorando de entendimentos que previa que dois mil confeccionistas passassem a ser fornecedores da plataforma chinesa. A parceria tinha como objetivo dar suporte ao mercado doméstico e à América Latina.
Segundo as notas explicativas, o contrato de empréstimos entre a TopFashion no país – empresa da Shein – e a Companhia Tecidos Santanense, controlada pela Coteminas, foi finalizado com um único vencimento para junho de 2026 e pagamento de juros anuais.
O acordo entre Coteminas e Shein também previa o financiamento para o capital de trabalho e contrato de exportação de produtos para o lar.