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Copasa precisa gerar mais caixa para manter rating, diz Fitch

Copasa precisa gerar mais caixa para manter rating, diz Fitch

Com política de dividendos mais generosa prevista sob a nova gestão, Copasa precisará acelerar geração de caixa

A Fitch Ratings avaliou nesta segunda-feira (22) que a conclusão do processo de privatização da Copasa (CSMG3) não deve impactar imediatamente o robusto perfil de crédito da companhia. A agência manteve o Rating Nacional de Longo Prazo em AAA(bra) com Perspectiva Estável.

Em 16 de junho, encerrou-se a oferta pública de distribuição secundária de ações da Copasa. O grupo Equatorial (EQTL3), por meio da Gerais Saneamento, foi selecionado como acionista de referência após adquirir 30% de participação na companhia por R$ 5,6 bilhões — valor que será financiado principalmente por empréstimo-ponte.

O repagamento dessa dívida poderá incluir recursos oriundos da distribuição de lucros retidos na Copasa sob a forma de dividendos. A Fitch entende que a estratégia do grupo Equatorial será manter a alavancagem financeira líquida da companhia em patamares próximos a 3 vezes.

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Eficiência operacional como âncora do rating

A agência ressalta que o aumento esperado na distribuição de dividendos e os volumes elevados de investimentos previstos precisarão ser compensados por ganhos de eficiência operacional.

“O aumento esperado na distribuição de dividendos e a manutenção de volumes elevados de investimentos poderão ser contrabalançados pela captura de eficiências operacionais”, avaliaram os analistas Gustavo Mueller e Leonardo Coutinho.

O ponto crítico está no limite de alavancagem que serve de gatilho para um eventual rebaixamento. Ao fim de março de 2026, a relação dívida/EBITDA era de 3,3 vezes, enquanto a dívida líquida/EBITDA marcava 2,4 vezes — abaixo do gatilho de 3,0 vezes para rebaixamento.

Caixa terá de crescer para sustentar dividendos maiores

O cenário anterior do rating já estimava alavancagem próxima ao limite considerando apenas os investimentos planejados. Com a nova política de dividendos, a equação ficou mais apertada.

“A manutenção dentro deste limite, considerando dividendos distribuídos mais expressivos, dependerá do aumento na geração de caixa da companhia”, alertaram Mueller e Coutinho.

A Fitch reconhece que a Copasa tem histórico sólido e capacidade de capturar eficiências sob gestão privada. Ainda assim, a agência deixa claro que a manutenção do AAA(bra) passará necessariamente pela habilidade da nova gestão de equilibrar retorno ao acionista com disciplina financeira — um desafio que começará a ser testado já nos próximos trimestres.