O Grupo Casino, dono do Pão de Açúcar (PCAR3), é alvo de disputa entre bilionários.
Isso porque o endinheirado francês das telecomunicações, Xavier Niel, e dois sócios fizeram uma oferta de € 1,1 bilhão (US$ 1,19 bilhão) à rede, atualmente em dificuldades financeiras.
Com isso, Guichard-Perrachon, dono do GPA, no Brasil, busca neutralizar uma oferta rival de outro grupo de investidores. A informação é da Bloomberg.
De acordo com a agência, o Casino recebeu uma carta preliminar de intenções deste trio, que visa aumentar o patrimônio do grupo em até € 1,1 bilhão, incluindo até € 300 milhões investidos diretamente por ele.
Casino
O grupo de mídia destacou, ainda, que o restante do dinheiro viria de novos parceiros e credores existentes dispostos a reinvestir na varejista em dificuldades.
Também traz que a oferta é preliminar, e a proposta de Niel, do empresário do setor varejista Moez-Alexandre Zouari e do banqueiro Matthieu Pigasse visa a evitar uma injeção de capital de € 1,1 bilhão proposta pelo bilionário empresário tcheco Daniel Kretinsky, que já possui uma participação de cerca de 10% no Casino.
E acrescenta que a proposta está condicionada à redução do endividamento sem garantia de € 3,6 bilhões do Casino, por meio da recompra de títulos e da conversão de dívidas em ações.
Pão de Açúcar (PCAR3)
Vale lembrar que no primeiro trimestre de 2023 o GPA reportou prejuízo líquido de R$ 248 milhões e, assim, reverteu lucro de R$ 1,3 bilhão registrado um ano antes.
De acordo com o balanço, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado marcou R$ 224 milhões no período, queda de 0,1% ante o mesmo período de 2022.
Já as margens do Pão de Açúcar também caíram. A margem bruta cedeu 2,5 pontos porcentuais (pp), para 24,4%. Já a margem Ebitda caiu 1,5 pp, para 6%.
Apesar das quedas nos indicadores acima, a receita líquida do Pão de Açúcar no 1T23 foi de R$ 4,5 bilhões, alta de 15% na comparação com os três primeiros meses de 2022.
Bolsa
A ação PCAR3 encerrou o dia 15 de junho de 2023 cotada em R$ 17,79. O ativo reporta alta de 8,79% no período de seis meses, e queda de 0,56% no período de um ano.
O BTG Pactual (BPAC11) tem recomendação de compra para o ativo, com preço-alvo em R$ 23.
O banco de investimentos destaca, em sua tese de investimentos, que embora a perspectiva de curto prazo para varejistas de alimentos não pareça promissora, com inflação baixa em algumas categorias de alimentos, significando uma desaceleração no crescimento das vendas, juntamente com a perspectiva de alta taxa de juros pressionando o lucro líquido para alguns players alavancados (listados e privados), ainda assim vê o setor entre os mais resilientes em seu universo de cobertura, enquanto os múltiplos parecem (na maioria dos casos) baratos.
Os resultados do GPA continuaram a mostrar uma tendência fraca em suas operações brasileiras, com seu principal formato (Pão de Açúcar) crescendo abaixo da inflação e lutando para repassar a inflação aos consumidores (significando maiores pressões de margem), uma tendência que o banco espera continuar nos trimestres seguintes.
“Após a venda de 70 hipermercados para o Assaí e a descontinuação do formato, cerca de 45% das vendas do GPA Brasil passaram a ser do formato premium, e um cenário macroeconômico mais difícil pode dificultar a retomada das vendas no curto prazo. O upside em nosso modelo consolidado ainda depende da soma das partes dos vários ativos em seu balanço (principalmente a Éxito), tornando-o uma opção de compra mais arriscada do que outros varejistas de alimentos em nossa cobertura”, disse.

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