As ações do Grupo Mateus (GMAT3) afundam 13% nesta sessão após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, marcados por dois achados da auditoria que geraram cautela imediata entre os investidores. Os analistas Daniella Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP Investimentos, detalham os pontos que mais preocupam o mercado.
O primeiro achado envolve estoques.
“O auditor identificou fragilidades de controles internos ao longo de 2025 que exigiram procedimentos de auditoria ampliados, embora ao final tenha considerado razoáveis os saldos de fechamento do ano”, apontam os analistas — ressaltando que essa conclusão deve ser lida no contexto dos ajustes contábeis materiais divulgados no terceiro trimestre de 2025.
O segundo ponto diz respeito a acordos comerciais com fornecedores.
“Foram sinalizadas divergências entre os registros contábeis e os controles das subsidiárias, com a gestão ainda reconciliando as diferenças”, destacam Eiger, Caravina e Sumer.
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Em ambos os casos, contudo, o auditor emitiu parecer sem ressalvas sobre os números de 2025 como um todo.
Operação fraca em todos os formatos
Além dos achados da auditoria, os resultados operacionais também decepcionaram. “As vendas líquidas atingiram R$ 10,6 bilhões, 4% abaixo da estimativa da XP, com crescimento de 21% apoiado quase inteiramente pelo M&A da Novo e pela abertura de 22 lojas ao longo de 2025”, explicam os analistas.
Em base orgânica, o SSS (Vendas nas Mesmas Lojas) consolidado ficou em -1,1%, com C&C (Cash and Carry, ou atacarejo) em -5,5% e supermercados em -5,1%. Entretanto, o segmento de Eletro surpreendeu positivamente com SSS de +7,8%, e o atacado avançou 21,5% no ano — embora desacelerando na comparação trimestral.
No Ebitda, o tombo foi mais expressivo.
“O Ebitda ajustado atingiu R$ 652 milhões, queda de 25% frente à estimativa da XP, com margem de 4,8%, pressionada pela desalavancagem operacional e pela absorção de custos fixos da consolidação da Novo Atacarejo”, detalham os analistas.
Custos de rescisão de R$ 23 milhões e um não recorrente negativo de R$ 40 milhões do Refis em Pernambuco agravaram o quadro.
Pontos positivos no caixa e novos formatos
No entanto, alguns indicadores positivos merecem atenção. O ciclo de caixa total caiu cinco dias, com melhora em dias de fornecedores, e a dívida líquida sobre Ebitda recuou para 0,4 vez.
“Isso, somado a resultados fracos, deve contribuir para uma visão mais cautelosa em relação ao nome, especialmente porque as pressões de volume devem persistir até 2026”, concluem Eiger, Caravina e Sumer.






