As ações do Carrefour Brasil (CRFB3) registram alta de 3,73%, cotadas a R$ 6,96 às 11h33 desta terça-feira (26).
A valorização ocorre após a retratação pública do CEO global do Carrefour, Alexandre Bompard, em relação aos comentários sobre produtos da agropecuária brasileira. O executivo havia sugerido que esses produtos não atendiam aos padrões ambientais e de qualidade exigidos pela União Europeia, justificando a priorização de produtores locais na França.
O contexto dessa declaração está relacionado à reação do setor agropecuário francês diante do avanço do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Produtores franceses argumentam que a entrada de produtos agropecuários brasileiros no mercado europeu comprometeria a competitividade de seus produtos, o que intensificou a pressão para priorizar a produção local.
A fala de Bompard gerou forte reação do setor agropecuário brasileiro, que boicotou o fornecimento de carnes para a operação brasileira do Carrefour. Representantes do setor afirmaram: “Se os produtos não atendem às necessidades do Carrefour França, também não irão atender às necessidades do Carrefour Brasil.”
Grandes empresas do setor de proteínas, como JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF3), aderiram ao boicote, intensificando os impactos no fornecimento.
Diante da crise, a matriz do Carrefour emitiu uma carta de retratação assinada pelo próprio Alexandre Bompard e entregue ao ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Na mensagem, o CEO pediu desculpas pela confusão causada e reafirmou sua confiança na qualidade da carne brasileira, destacando o interesse em manter o relacionamento com os fornecedores locais.
Em nota divulgada, por volta das 11h20, o Carrefour Brasil confirmou a retomada da entrega dos produtos de carne bovina e que espera a normalização do reabastecimento deles no decorrer dos próximos dias.
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EQI Research: desfecho mais provável aconteceu
A EQI Research, ao analisar os desdobramentos, destacou que o pedido de desculpas era o desfecho mais provável para o impasse.
“Dado (i) a relevância do produto para as vendas do Carrefour (e de qualquer supermercado); (ii) a grande participação das operações brasileiras no resultado consolidado do grupo; e (iii) a importância do período de final de ano para o setor, era esperado que a matriz buscasse a retratação a fim de normalizar novamente o fornecimento para as lojas brasileiras“, afirmou a casa de análises.
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