O mercado de small caps começa 2026 com uma combinação rara de preços descontados, gatilhos relevantes e maior visibilidade operacional. Essa é a leitura do BTG Pactual ao atualizar sua carteira recomendada para janeiro, reforçando a tese de que empresas médias e pequenas podem entregar retornos superiores no médio prazo.
Segundo o banco, o momento é marcado por uma rotação seletiva de capital, na qual a execução e a disciplina financeira passam a pesar mais do que narrativas genéricas de crescimento. Em um ambiente ainda desafiador, mas mais previsível, as small caps aparecem como um terreno fértil para investidores dispostos a assumir risco calculado em 2026.
A carteira mantém dez nomes igualmente ponderados, refletindo uma estratégia de diversificação setorial. Permanecem empresas de utilities, varejo, agronegócio, serviços e infraestrutura, enquanto novas companhias entram para capturar assimetrias específicas de preço e potencial de reprecificação.
Portfólio de small caps brasileiras para janeiro de 2026

Execução, valuation e gatilhos políticos moldam as teses para 2026
Um dos pontos centrais da análise do BTG é o equilíbrio entre valuation atrativo e melhora operacional. Em setores regulados, como saneamento, o banco vê espaço relevante para reprecificação. “Sanepar é um estoque barato com múltiplos baixos, apesar de operar de forma ineficiente bem abaixo de seu potencial”, afirma o analista Carlos Sequeira, mantendo a expectativa de que 2026 traga catalisadores políticos relevantes para o papel.
Em serviços e consumo, a leitura é semelhante. O BTG destaca empresas que já passaram pelo pior momento do ciclo e agora colhem ganhos de margem e eficiência. “Esperamos uma melhora no momentum de resultados da GPS e acreditamos que o primeiro semestre marcou o fundo dos principais vetores da tese”, diz Sequeira, ao reforçar a recomendação de compra.
Esse foco em execução aparece também no agronegócio, onde a entrada em operação de novos projetos em 2026 sustenta a visão positiva. “Vemos atentos como uma empresa de alta qualidade, crescimento elevado e retornos acima da média dentro do agronegócio brasileiro”, acrescenta o analista.
Logística, consumo e histórico reforçam o apelo das small caps
Além da carteira de small caps, o BTG também reiterou recomendação de compra para as ações da Rumo, destacando o papel estratégico da logística ferroviária no Brasil. A visão positiva se apoia na previsibilidade de receitas, disciplina de capital e na importância estrutural do setor para o escoamento da produção agrícola ao longo de 2026 e dos próximos anos.
O histórico da estratégia reforça o otimismo. Desde 2010, a carteira de small caps do BTG acumula valorização muito superior aos principais índices de mercado, sustentada por seleção ativa e foco em fundamentos. Em 2025, o portfólio avançou quase 50%, abrindo uma base elevada, mas ainda com espaço para novas assimetrias.
Para o banco, 2026 deve consolidar esse movimento, especialmente se o cenário macro continuar favorecendo empresas com balanços sólidos, crescimento previsível e capacidade de execução. Nesse contexto, as small caps seguem como um dos segmentos mais interessantes da bolsa brasileira para quem olha além do curto prazo.






