A Petrobras (PETR3; PETR4) deu um passo decisivo na definição do futuro da Braskem (BRKM5).
Após o fechamento do mercado nesta quinta-feira (23), a estatal divulgou dois comunicados simultâneos: formalizou a decisão de não exercer os direitos de preferência nem de tag along em relação às ações da Braskem, e assinou novo acordo de acionistas com o Shine I — fundo de investimentos gerido pela IG4 que está adquirindo a participação de controle da Novonor na petroquímica.
Para o analista Regis Cardoso, da XP Investimentos, o movimento era esperado.
“Os anúncios eram amplamente esperados, em linha com o noticiário recente e com as comunicações anteriores da companhia”, afirma Cardoso.
Controle compartilhado com poder de veto
O novo acordo estabelece uma estrutura de governança inédita para a Braskem.
Petrobras e IG4 passarão a exercer controle compartilhado da companhia, com exigência de consenso em todas as deliberações do Conselho de Administração e da assembleia de acionistas. As indicações para o conselho e para a diretoria executiva também serão paritárias entre as duas partes.
A Petrobras mantém participação de 36,1% no capital total da Braskem e 47% das ações com direito a voto — posição que permanece inalterada, mas com peso político significativamente maior.
“Acreditamos que a Petrobras passará a exercer influência significativamente maior sobre a gestão da Braskem daqui em diante em comparação ao passado”, avalia Cardoso.
Positivo para a reestruturação
A XP avalia o movimento com otimismo, especialmente diante do momento delicado da Braskem.
“Avaliamos isso de forma positiva, especialmente considerando a atual fragilidade da estrutura de capital da empresa”, destaca o analista.
O novo acordo entrará em vigor após a conclusão da transferência das ações para o fundo da IG4. Nesse momento, as partes também submeterão uma proposta de novo Estatuto Social para aprovação.
“A conclusão da transação entre Novonor e IG4, juntamente com o novo acordo de acionistas com a Petrobras, representa um marco relevante para a resolução da incerteza de longa data em torno da estrutura de controle da Braskem”, conclui Cardoso.
Entretanto, etapas importantes ainda estão pela frente — incluindo a aprovação do novo estatuto e a efetiva transferência das ações —, antes que os próximos passos do processo de reestruturação possam ser destravados.
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