Home
Notícias
Ações
Varejistas navegam em tempos difíceis, mas há ventos favoráveis, diz BTG (BPAC11)

Varejistas navegam em tempos difíceis, mas há ventos favoráveis, diz BTG (BPAC11)

As varejistas navegam em tempos difíceis, afirma o BTG (BPAC11), conforme relatório encaminhado ao mercado. No documento, o banco de investimentos destaca que o segmento vive uma “linha do tempo volátil”. A instituição organizou, na última semana, um evento setorial com a presença dos CEOs de cinco das principais varejistas de vestuário do Brasil: O […]

As varejistas navegam em tempos difíceis, afirma o BTG (BPAC11), conforme relatório encaminhado ao mercado.

No documento, o banco de investimentos destaca que o segmento vive uma “linha do tempo volátil”.

A instituição organizou, na última semana, um evento setorial com a presença dos CEOs de cinco das principais varejistas de vestuário do Brasil:

O referido evento contou com cerca de 180 investidores e líderes do setor, e as discussões focaram em vários pontos-chave pertinentes ao segundo semestre de 2023 (2S23), bem como tendências estruturais, após um início de ano difícil.

As conversas discorreram sobre:

Publicidade
Publicidade
  • perspectivas de demanda e lucratividade das empresas;
  • planos de expansão em um ambiente de taxas de juros potencialmente mais baixas;
  • potencial impactos da Reforma Tributária e efeitos positivos da fiscalização mais rígida nas importações de pequeno valor.

Vale lembrar que o BTG é o maior banco de investimentos da América Latina (Latam), está estruturando suas operações na Europa e pretende, também, adquirir um banco focado em wealth management nos EUA.

BTG (BPAC11): ambiente desafiador

Ainda de acordo com o relatório encaminhado ao mercado, o setor de varejo vive um cenário difícil, em meio ao ambiente macro desafiador, com a produção têxtil caindo 13% a/a em 2022, a produção de vestuário caindo 8% e as vendas no varejo de vestuário subindo 14%, depois de registrar crescimento de 19% a/a em 2021.

“O desempenho da maioria dos varejistas de vestuário foi impulsionado por preços mais altos (a inflação de vestuário foi de 17% em 2022), com volumes (e tráfego de pedestres) apresentando dificuldades (queda de 0,5% a/a em 2022)”, destacou.

E disse mais: “para 2023, conforme comentamos em relatórios recentes, a ABIT (associação têxtil brasileira) espera que os volumes cresçam 4% a/a, com vendas estáveis.”

5 tendências

O bancão continua vendo cinco tendências principais impulsionando o debate no setor de vestuário/calçado brasileiro:

  • consolidação do setor (com os cinco principais players ainda detendo 25% do mercado), atividade de fusões e aquisições e fechamento de lojas por empresas menores;
  • desaceleração da inflação reduzindo a pressão sobre os resultados no curto prazo;
  • aumento da penetração dos modelos online e Omni channel e o consequente impacto nas margens, bem como o papel do social selling;
  • a concorrência de players internacionais, especialmente os nativos digitais (enquanto há uma crescente pressão sobre os impostos pagos por esses players); e
  • players mais expostos a famílias de maior renda ainda com desempenho superior nos próximos meses.

BTG (BPAC11): mensagem principal

“Embora o curto prazo continue desafiador para a maioria dos players, especialmente aqueles mais expostos a consumidores de média/baixa renda, há ventos favoráveis à frente, com sinais de melhora da demanda em junho, inflação mais baixa e taxas de juros e custos de matérias-primas potencialmente mais baixos levando a margens mais saudáveis do setor nos trimestres seguintes”, frisou.

Concorrência internacional

Em relação à concorrência internacional, o BTG afirma que as transações internacionais de consumidores brasileiros aumentaram significativamente nos últimos anos, graças ao crescimento maciço do comércio eletrônico.

No entanto, elencou, isso levou os varejistas mais afetados por essa tendência, como os players de vestuário, a reclamar da desigualdade tributária.

Oficialmente, disse, as importações de pequeno valor no Brasil somaram US$ 13 bilhões em 2022, mais do que dobrando a participação do ano anterior (US$ 5,7 bilhões) na balança comercial calculada pelo Banco Central.

O salto é ainda mais significativo quando se olha para os dados históricos: US$ 83 milhões em 2013.

Pressões e distorções

Pressionado para lidar com essas distorções fiscais, a Receita Federal anunciou exigências mais rígidas para vendedores e exportadores a partir de julho.

O BTG, inclusive, escreveu extensivamente sobre a Shein nos últimos anos, que no ano passado atingiu cerca de R$ 7 bilhões em GMV no Brasil, destacando suas vantagens competitivas:

  • velocidade de lançamento no mercado (A Shein usa fabricação sob demanda para produzir um fluxo constante de itens da moda em quantidades muito pequenas, aproveitando uma rede bem localizada de fornecedores);
  • poderosa abordagem de mídia social (Shein se posicionou diretamente como uma marca de referência para a Geração Z experiente em mídia social e está altamente envolvida com plataformas como TikTok); e
  • preços baixos (embora explorando algumas brechas fiscais para manter preços competitivos).

A Shein

Conforme o BTG, a Shein anunciou recentemente planos de adquirir aproximadamente 80% de seus produtos localmente e importar 20% da China, planejando investir US$ 150 milhões no país nos próximos três anos. Ao mesmo tempo, deve diversificar sua produção, melhorar os níveis de serviço e alavancar o já alto engajamento e tráfego orgânico em sua plataforma.

“Mas a mudança também significa que a Shein competirá nas mesmas condições que os fabricantes/varejistas locais (o que pode levar a preços mais altos) e enfrentará desafios semelhantes para aumentar a capacidade de produção local (um grande gargalo para pares globais bem-sucedidos como a Zara)”, concluiu.