O trono da beleza brasileira nunca esteve tão disputado. Pela primeira vez na história, o Grupo Boticário chegou a apenas 0,2 ponto percentual de distância da Natura (NATU3) na liderança do mercado de Beleza & Cuidados Pessoais (B&PC) — e os dados de 2025 da Euromonitor International, divulgados esta semana, mostram que essa disputa está longe de terminar.
Enquanto a Natura perdeu 0,7pp de participação no ano passado, recuando para 15,7% do mercado, o Grupo Boticário avançou 0,5pp, chegando a 15,5%. A diferença entre as duas gigantes atingiu o menor nível já registrado, segundo análise do Bradesco BBI.
A pressão é mais aguda justamente onde a Natura não pode se dar ao luxo de ceder: em cuidados com a pele e fragrâncias, categorias que juntas respondem por cerca de 40% do mercado, a Natura recuou entre 0,8 e 1,5pp, enquanto o Boticário avançou entre 0,7 e 1,2pp nos mesmos segmentos.
Cenário mais amplo
O cenário mais amplo do setor também preocupa. O mercado brasileiro de B&PC cresceu apenas 6,8% em 2025 — cerca de 2,5% em termos reais —, desacelerando pelo segundo ano consecutivo, após altas de 10,4% em 2024 e 12,9% em 2023. A pressão sobre a renda dos consumidores tem pesado mais do que a tradicional resiliência do setor.
Dentro desse quadro, os canais digitais seguem como exceção positiva: o e-commerce cresceu 19% no ano e já representa 12,7% do mercado total. A venda direta, canal histórico da Natura, também avançou 8%, mas analistas do Bradesco BBI alertam para sinais de estoque elevado no canal — o que pode frear o desempenho no início de 2026.
Para a Avon, os números trazem uma baixa simbólica: a marca perdeu 1pp em maquiagem, sua categoria principal, e cedeu a terceira colocação para a Risqué, da Coty.
O Bradesco BBI mantém visão “relativamente construtiva” para o setor no médio prazo, mas reconhece que a aceleração esperada para o segundo semestre de 2026 parte de uma base fraca — e que, para a Natura, reconquistar terreno exigirá foco cirúrgico em operações e alocação de capital.






