A XP Investimentos elevou o preço-alvo da Bemobi (BMOB3) de R$ 30,50 para R$ 31 por ação, implicando potencial de valorização de 23%, segundo relatório assinado pelos analistas Bernardo Guttmann e Luis Chagas nesta segunda-feira (30). A recomendação de compra foi reiterada após NDR (Non-Deal Roadshow) realizado com o CFO da companhia no Rio de Janeiro.
“Além de atrair novos investidores para a tese, o NDR e a entrevista reforçaram nossa visão de que a Bemobi segue executando de forma consistente sua transição para um modelo orientado a Pagamentos e SaaS. Essa frente já representa cerca de 60% da receita em 2025 e deve atingir 70% com a consolidação da Paytime, elevando a qualidade das receitas e sustentando crescimento recorrente e alavancagem operacional ao longo do tempo“, destacam os analistas.
A ação negocia a 11,2 vezes P/L (Preço sobre o Lucro) e 6,6 vezes EV/Ebitda (Valor da Empresa sobre o Ebitda) para 2026. A XP projeta crescimento de receita de 26% em 2026 e 13% em 2027, com Pagamentos seguindo como o principal vetor de expansão.
Mudança estrutural no mix de receitas
A Bemobi passou por uma mudança relevante no mix de receitas, deixando de ser predominantemente baseada em assinaturas para um modelo focado em Pagamentos e SaaS.
“Essa transição não se refere apenas a mix, mas também à qualidade das receitas. Esses segmentos apresentam margens mais elevadas, maior recorrência e um potencial de monetização superior ao longo do ciclo de vida do cliente. Na prática, a Bemobi vem se posicionando cada vez mais como um player de infraestrutura de pagamentos verticalizada, profundamente integrada aos fluxos operacionais de seus clientes“, afirmam Guttmann e Chagas.
Crescimento com alta visibilidade
A companhia segue entregando crescimento consistente, com receitas avançando próximo a 20% ao ano e Ebitda crescendo acima da receita.
“A maior parte desse crescimento já está contratada ou embutida na base atual de clientes, impulsionada pelo ramp-up de contratos recentemente assinados, pela expansão de soluções dentro de contas existentes e por projetos já em fase de implementação. Essa dinâmica reduz de forma relevante o risco de execução no curto prazo, uma vez que o crescimento depende menos da conquista de novos clientes”, pontuam os analistas.
Baixa penetração e runway longo
Mesmo entre clientes mais maduros, a penetração das soluções da Bemobi ainda é relativamente baixa. No segmento de utilities, por exemplo, sua participação no TPV total permanece em níveis de um dígito baixo.
“Isso abre amplo espaço para expansão à medida que a companhia aumenta gradualmente sua participação na carteira de clientes (share of wallet), aprofunda o portfólio de soluções oferecidas a cada cliente e se beneficia da migração estrutural do boleto para meios digitais, parcelados e recorrentes”, destacam.
Forte geração de caixa
A administração reforçou que a alavancagem operacional segue como um pilar central da tese, com a Bemobi apresentando elevada conversão de caixa.
“A Bemobi apresenta elevada conversão de caixa, com cerca de 80% do Ebitda menos capex convertido em geração de caixa, reforçando a qualidade dos resultados. A companhia mantém um perfil atrativo de retorno de capital, com política de payout de 100%, sustentada por forte geração de caixa e posição líquida de caixa confortável”, concluem Guttmann e Chagas.
A estratégia de M&A permanece focada em aquisições de menor porte (bolt-ons), normalmente realizadas a múltiplos mais baixos e estruturadas com pagamentos diferidos ao longo do tempo.






