A BB Seguridade (BBSE3) deve escapar de uma queda de lucros maior do que o mercado temia em 2026, mas o ano seguinte preocupa. É a mensagem que saiu do café da manhã do BTG Pactual com o CFO Rafael Sperendio nesta sexta-feira (3), após o qual o banco reiterou recomendação neutra e reforçou a preferência pela Caixa Seguridade (CXSE3) dentro do setor.
“Enquanto o mercado esperava anteriormente uma queda de lucros de 5% a 6% este ano, agora parece haver chance de que o lucro líquido fique estável ou caia apenas levemente, ajudado por resultados financeiros mais fortes e melhor desempenho da BrasilPrev”, disseram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG.
O problema está em 2027, cujas perspectivas seguem sem brilho diante do fraco crescimento de prêmios de seguro.
Agro: segundo ano consecutivo de contração de 30%
O segmento agrícola enfrenta sua maior dificuldade em anos. A inadimplência subiu sem um evento climático grave, o que torna a recuperação difícil de prever e limita o espaço da BBSE para compensar o recuo nos prêmios. A retenção de risco foi elevada de 20% para 25%, e produtos mais flexíveis foram lançados, mas o cenário geral do seguro permanece adverso.
A gestão também se mostra cética quanto a uma recuperação dos prêmios de crédito vida dado o ambiente macro atual.
“O atual cenário agro é particularmente incomum, pois a inadimplência aumentou sem um grande evento climático, tornando o caminho de recuperação ainda mais difícil de prever”, apontaram Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Um Super El Niño no fim do ano seria mais uma pressão sobre os resultados.
BrasilPrev compensa, mas capital excedente não sai
A BrasilPrev performa melhor e funciona como contrapeso às fraquezas operacionais do seguro. Juros mais altos aceleram o crescimento das reservas e estimulam captações líquidas. O resultado financeiro surpreendeu positivamente, e uma Selic mais elevada deve continuar sustentando a lucratividade do grupo.
O problema é que o capital excedente da subsidiária não é facilmente distribuível, pois está atrelado à marcação a mercado dos passivos.
“Isso explica a postura cautelosa da BB Seguridade em relação a dividendos extraordinários, embora o payout no segundo semestre costume ser maior que no primeiro”, observaram os analistas.
Contrato com o BB: especulação, não discussão
A renovação do acordo exclusivo de distribuição com o Banco do Brasil, prevista para 2033, permanece como o maior risco estrutural da tese. O CFO do BB já havia sinalizado que parceiros privados devem contribuir com parte maior em eventual renegociação. Sperendio deixou claro que nem a renovação nem um eventual follow-on do BB estão em discussão agora.
“A BB Seguridade hoje parece estar precificando ou crescimento zero na perpetuidade ou um cenário em que o negócio de corretagem perde cerca de metade de seu valor a partir de 2033, o que é amplamente o que assumimos em nosso modelo”, concluíram Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
O papel negocia a 9,1 vezes o lucro de 2026 com dividend yield de 9,5%, mas o BTG avalia que a relação risco-retorno piorou após a valorização recente, com as ações já próximas do preço-alvo do banco.






