As seguradoras brasileiras devem entregar uma temporada de resultados pouco animadora no primeiro trimestre de 2026.
É o que projetam os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre, do banco Safra, que antecipam tendências fracas generalizadas no setor — confirmadas pelos dados da Susep até fevereiro.
“Esperamos uma temporada de resultados geral sem inspiração para as seguradoras, com os dados da Susep até fevereiro reforçando nossa visão”, afirmam os analistas.
No segmento de bancassurance, as linhas principais de seguro — crédito vida, rural e vida — seguem sem catalisadores para reaceleração. Contudo, a sinistralidade permanece sob controle, sem eventos que possam criar pressão relevante nos índices de sinistros.
BB Seguridade pressiona Brasilprev
A BB Seguridade (BBSE3) deve divulgar seus resultados em 4 de maio.
O Safra projeta lucro líquido de R$ 2,16 bilhões no trimestre — queda de 6% na comparação trimestral e alta de 8% anual.
“O desempenho de Brasilseg e Brasilprev deve pesar na comparação trimestral”, destacam Vaz, Guedes e Nobre.
Na Brasilseg, os prêmios emitidos devem ficar praticamente estáveis, com o seguro de crédito vida acelerando 36% trimestral, mas o seguro rural recuando 10%. A sinistralidade deve piorar 330 pontos-base sequencialmente, reflexo das reversões de sinistros do trimestre anterior.
Na Brasilprev, a captação bruta deve saltar para R$ 14 bilhões — movimento que pressiona os custos de aquisição.

IRB com subscrição melhorando
O IRB Re (IRBR3) também divulga em 4 de maio.
O Safra estima lucro líquido de R$ 110 milhões — queda de 23% trimestral e 8% anual —, com prêmios emitidos recuando 1% anual.
“O resultado de subscrição antes de despesas administrativas e tributárias deve crescer 45% anual, com o índice combinado estimado em 102%, queda de 150 pontos-base trimestral, apoiado por tendências favoráveis nos índices de sinistros e comissões”, detalham os analistas.
Caixa Seguridade como destaque
Entretanto, a Caixa Seguridade (CXSE3) se diferencia positivamente.
A holding deve reportar lucro líquido de R$ 1,085 bilhão — queda de 3% trimestral e alta de 8% anual —, com o seguro habitacional crescendo 13% anual como principal motor.
“Ainda vemos a Caixa Seguridade melhor posicionada dado sua exposição ao segmento habitacional, e os resultados do primeiro trimestre devem reforçar essa visão”, concluem Vaz, Guedes e Nobre — mantendo a companhia como única recomendação de outperform (compra) do Safra no setor de seguros.
Leia também:






