A Ambev (ABEV3) reportou mais um resultado acima das expectativas no primeiro trimestre de 2026, surpreendendo positivamente pelo terceiro trimestre consecutivo. O EBITDA ajustado cresceu 10% em bases orgânicas na comparação anual, chegando a R$ 7,6 bilhões — 7% acima das estimativas do BTG Pactual.
O lucro por ação de R$ 0,24 também superou as projeções em 10%. A análise é dos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual, que classificaram o desempenho como um “hat trick” — a terceira tacada consecutiva de superação de expectativas.
Brasil lidera e premium dispara mais de 20%
O destaque absoluto do trimestre foi a divisão de cervejas no Brasil. “O Brasil Cerveja é onde a Ambev realmente se destacou”, afirmam Duarte e Guttilla.
O EBITDA da divisão somou R$ 3,9 bilhões, 11% acima das estimativas do banco e 8% maior na comparação anual, respondendo por 80% da superação total de EBITDA no trimestre. Os volumes cresceram 1,2% na comparação anual, acima da concorrência e da indústria como um todo, enquanto os preços subiram 8% puxados por um mix mais favorável.
“As marcas premium cresceram mais de 20% e as marcas core teriam caído em linha com o mercado, em dígito simples baixo”, detalham os analistas.
A margem EBITDA da divisão ficou em 35,6%, com queda de apenas 40 pontos-base no ano, apesar de custos 15% maiores — resultado de economias em despesas administrativas e maiores subsídios fiscais estaduais.
Outras divisões também surpreendem
O bom desempenho não se restringiu ao Brasil.
“A Ambev conseguiu superar as estimativas de EBITDA em todas as outras divisões também”, destacam os analistas.
Na América Central e Caribe (CAC), os volumes cresceram 8% e o EBITDA avançou 14% em bases orgânicas, embora tenha caído 12% em bases reportadas pela desconsolidação das operações em Cuba.
Na América do Sul (LAS), volumes estáveis foram compensados por melhor câmbio, com EBITDA 12% maior organicamente. No Brasil NAB, apesar da queda de 4% em volumes, a margem EBITDA expandiu 420 pontos-base para 32%, 250 pontos-base acima do projetado. No Canadá, volumes menores foram compensados por preços acima do esperado.
Resultado completo abre espaço para reavaliação
Para os analistas do BTG, o trimestre representa uma mudança qualitativa importante.
“Em 1Q26, a Ambev parece ter entregado o pacote completo: carry de preços sólido do ano passado, junto com volumes mais fortes e expansão de margem, apesar de este ser o trimestre mais desafiador do ano do ponto de vista de custos”, avaliam Duarte e Guttilla.
O BTG coloca suas estimativas em revisão e sinaliza possível elevação das projeções.
“Há uma forte sensação de que a execução, junto com um portfólio mais robusto de ofertas premium construído ao longo dos anos, está finalmente permitindo que a Ambev enfrente melhor a concorrência”, concluem os analistas, que também veem sinais de que a companhia pode estar acelerando o pagamento de dividendos e recompras acima do patamar de 100% do lucro no ano.
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