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Alavancagem da Camil sobe e acende alerta sobre endividamento

Alavancagem da Camil sobe e acende alerta sobre endividamento

A pressão sobre as margens e o aumento das despesas operacionais limitaram os resultados

A forte alta da alavancagem e o consumo elevado de caixa da Camil (CAML3) no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026 acenderam um sinal de alerta sobre a capacidade da companhia de reduzir seu endividamento no curto e médio prazos, segundo avaliação do BB Investimentos. Embora a empresa tenha ampliado o volume de vendas e mantido a estratégia de ganho de escala, a pressão sobre as margens e o aumento das despesas operacionais limitaram os resultados.

Ao fim do primeiro trimestre, a dívida líquida da Camil atingiu R$ 4,2 bilhões, alta de 42% em relação ao trimestre anterior. Com isso, o indicador de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e EBITDA, avançou de 3,2 vezes no quarto trimestre de 2025 para 4,7 vezes. O consumo de caixa superou R$ 1,1 bilhão, um crescimento de 58% na comparação anual.

O BB Investimentos ressalta que o primeiro trimestre costuma concentrar maior consumo de caixa devido à formação de estoques da safra de arroz, característica sazonal do capital de giro da companhia. Por isso, os covenants financeiros são medidos apenas no encerramento do ano fiscal, em fevereiro. Além disso, a empresa captou cerca de R$ 600 milhões no Brasil durante o período para cobrir compromissos de amortização previstos para os próximos 12 a 14 meses.

Crescimento nas vendas

No desempenho operacional, a Camil registrou crescimento de 17,9% no volume de vendas em relação ao mesmo período do ano anterior, com contribuição de todos os segmentos, tanto no Brasil quanto nas operações internacionais. O avanço reforça a estratégia da companhia de ampliar volumes e ganhar escala.

Apesar disso, a receita líquida permaneceu praticamente estável, com leve queda de 0,7%, refletindo a redução dos preços médios dos produtos, especialmente do arroz. O EBITDA recuou 10% na comparação anual, pressionado pelo aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas, principalmente em função de maiores custos com frete, provisões, pessoal e tecnologia.

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O lucro líquido somou R$ 28 milhões no trimestre, beneficiado por um efeito tributário positivo que compensou parcialmente o aumento das despesas financeiras.

Na avaliação do BB Investimentos, a combinação de juros elevados, aumento das despesas financeiras e margens pressionadas por preços mais baixos das commodities reduz a flexibilidade financeira da empresa. Para os analistas, a desalavancagem passa a depender de uma recuperação mais consistente dos preços internacionais do arroz, que permita recompor as margens e fortalecer a geração de caixa operacional.

Enquanto não houver sinais mais claros de recuperação da rentabilidade, o banco avalia que as perspectivas para uma redução consistente da alavancagem permanecem limitadas.

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