Os resultados da Vivo (VIVT3) no primeiro trimestre de 2026 trouxeram um retrato dividido para o mercado: lucro líquido expressivo e receita em linha com as expectativas, mas um EBITDA que decepcionou — e o mercado não perdoou. As ações caem cerca de 5% na sessão desta segunda-feira, refletindo a frustração dos investidores com a linha operacional.
Para os analistas Silvio Dória e Guilherme Bellizzi Mota, do banco Safra, o balanço tem sabor misto.
“A receita do primeiro trimestre de 2026 da Vivo ficou em linha com nossa estimativa, em R$ 15,46 bilhões, alta de 7,4% na comparação anual, mas o EBITDA ficou 5% abaixo, em R$ 6,21 bilhões, contra nossa projeção de R$ 6,54 bilhões”, escrevem os analistas.
O desvio equivale a R$ 328 milhões e tem dois culpados principais: o crescimento robusto — e mais caro — nas vendas de aparelhos, e uma provisão para devedores atípica.
Ebitda
“O Ebitda ficou abaixo da nossa estimativa devido a despesas operacionais recorrentes mais altas do que o esperado, principalmente explicadas pelo custo dos produtos vendidos crescendo junto com as vendas de aparelhos e por um salto de 13% na provisão para devedores relacionada a um cliente corporativo B2B específico”, detalham Dória e Bellizzi Mota.
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Nos negócios que importam, a Vivo segue entregando. A receita de serviços móveis cresceu 6,6% na comparação anual, com o pós-pago respondendo por 86,6% do total — alta de 1,0 ponto percentual. A base de clientes pós-pago atingiu 72,1 milhões, com churn no patamar historicamente baixo de 1,0%.
“A alavancagem operacional permanece intacta apesar da consolidação da FiBrasil”, apontam os analistas, referindo-se ao Ebitda após arrendamentos, que avançou 9,7% na comparação anual, com margem de 31,1%.
Internet
Na fibra, os números também impressionam: 8,0 milhões de casas conectadas, alta de 11,5%, e 31,5 milhões de casas passadas. O produto convergente Vivo Total cresceu 32,6% e já representa 44,7% de todos os acessos de FTTH.
“A convergência continua fazendo o trabalho”, sintetizam Dória e Bellizzi Mota.
O lucro líquido de R$ 1,26 bilhão avançou 19,2% — o maior crescimento desde o primeiro trimestre de 2024 —, beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto mais baixa (21,6%, ante 25,4% no 1T25). O resultado financeiro, porém, piorou 26,6%, pressionado pelo maior endividamento após a aquisição da FiBrasil.
O fluxo de caixa livre somou R$ 2,2 bilhões, com crescimento de 3,6% na comparação anual.
“O crescimento do fluxo de caixa foi contido por maiores pagamentos de impostos e maior consumo de capital de giro em relação a uma base fraca no primeiro trimestre de 2025”, concluem os analistas do Safra.
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