Ações da Tim e da Vivo estão baratas: vale a pena comprar?
Analistas destacam deterioração das tendências operacionais observada no primeiro trimestre de 2026, com desaceleração de receitas e compressão de margens
A análise do Bradesco BBI sobre TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3) indica que, apesar da recente correção nos preços das ações ter tornado os múltiplos mais atrativos, ainda não há sinais consistentes de retomada operacional no curto prazo.
O banco manteve recomendação neutra para ambas, refletindo um ambiente competitivo mais intenso e um cenário macroeconômico que segue desafiador para o setor de telecomunicações.
Após incorporar os resultados do primeiro trimestre de 2026 e os dados mais recentes de adições líquidas, os analistas revisaram para baixo os preços-alvo das companhias.
No caso da Vivo, a estimativa passou de R$ 45 para R$ 39, enquanto para a TIM houve redução de R$ 29 para R$ 26, movimento explicado tanto por projeções operacionais mais fracas quanto pelo aumento do custo de capital diante dos juros mais elevados.
Os resultados recentes evidenciam deterioração das tendências operacionais, com desaceleração no crescimento de receitas e margens, além de maior dificuldade das operadoras em repassar aumentos de preços, sobretudo nos planos de entrada.
“O trimestre mostrou enfraquecimento nas tendências operacionais, com maior dificuldade em repasses de preços e sinais de competição mais acirrada”, afirmam os analistas Daniel Ferdele e Flávia Meireles.
Esse ambiente competitivo mais intenso ocorre em paralelo a um contexto macroeconômico que também impõe desafios adicionais, afetando principalmente a capacidade das operadoras de expandir o ticket médio dos clientes.
“O cenário macro mais desafiador pode impactar negativamente a migração de pré para pós-pago e a expansão de ARPU”, destacam Ferdele e Meireles.
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Valuation melhora, mas sem gatilhos claros
Apesar da correção recente dos papéis, que levou TIM e Vivo a negociarem com desconto em relação às médias históricas e a benchmarks relevantes, o banco adota uma visão cautelosa quanto ao curto prazo. A avaliação é de que o balanço de riscos segue assimétrico, com maior peso para fatores negativos.
“A recente queda tornou os valuations mais atrativos, mas ainda vemos risco de revisões negativas nas estimativas”, escrevem os analistas. Para eles, mesmo com múltiplos mais baixos, a ausência de catalisadores impede uma reprecificação mais consistente do setor.
Fluxo de caixa e incertezas regulatórias no radar
As projeções indicam que, em 2026, a Vivo deve apresentar rendimento de fluxo de caixa livre de 9,7%, enquanto a TIM pode alcançar 12,1%, números que incorporam efeitos pontuais como venda de ativos e possíveis mudanças no Fistel. Ainda assim, o tema regulatório permanece como uma fonte relevante de incerteza.
“Seguimos aguardando sinais mais claros de estabilização operacional e melhora na dinâmica competitiva antes de recomendar maior exposição”, concluem Ferdele e Meireles.
O adiamento de decisões sobre o Fistel, que representa parcela relevante do valor das empresas, reforça esse quadro de cautela e reduz a visibilidade para o desempenho futuro das ações.
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