A XP Investimentos revisou suas projeções para a Vivara (VIVA3) e a vê como uma “joia barata”, mostra um relatório enviado a clientes. Os dados foram revisitados após os resultados do primeiro trimestre de 2026, incorporando cenário macro mais desafiador, maiores despesas e impactos iniciais da nova legislação trabalhista.
As estimativas de Ebitda ajustado foram reduzidas entre 5% e 7%, enquanto o lucro líquido teve corte entre 6,5% e 12% para 2026 e 2027. O preço-alvo também foi revisado para R$ 35 por ação, ante R$ 38 anteriormente, mas a recomendação de compra foi mantida.
A casa destaca que o ajuste reflete um conjunto de fatores adversos que já começou a impactar a companhia no início do ano.
“Atualizamos nosso modelo para refletir despesas mais elevadas e resultados abaixo do esperado no primeiro trimestre, além de ajustes macroeconômicos”, afirmam Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.
Apesar da revisão negativa, o tom geral segue construtivo, especialmente pela visão de que o pior cenário já está largamente incorporado no preço das ações. O valuation permanece como um dos principais argumentos para a recomendação.
Corte de estimativas e pressão operacional
A revisão das projeções foi motivada principalmente pelo desempenho operacional mais fraco no primeiro trimestre, com destaque para margens pressionadas por custos mais elevados.
“Reduzimos nossas estimativas após um EBITDA abaixo do esperado, além de incorporar um SG&A mais alto”, apontam os analistas.
Além disso, a XP também levou em consideração possíveis efeitos da nova legislação trabalhista, ainda em fase de finalização. Embora o impacto não seja considerado significativo frente a concorrentes, ele contribui para um cenário de despesas mais altas no curto prazo.
A combinação desses fatores levou a revisões relevantes nos números projetados, reforçando uma leitura mais cautelosa para os próximos trimestres, especialmente em termos de rentabilidade.
Desafios estruturais ainda geram dúvidas
Do ponto de vista qualitativo, os analistas observam que ainda existem incertezas relevantes que mantêm os investidores atentos. Entre elas, o desempenho da marca Life, que tem apresentado vendas mesmas lojas (SSS) mais fracas.
“As principais preocupações estão relacionadas ao desempenho da Life, à pressão de custos e à dinâmica de capital de giro”, destacam Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.
Outro ponto de atenção é a gestão de estoques, embora já haja sinais iniciais de melhora. A companhia indicou que há espaço para reduzir os dias de estoque para um intervalo entre 400 e 450 dias, frente aos 601 dias observados no primeiro trimestre.
Ainda assim, a XP entende que boa parte dessas preocupações já está refletida no valuation da ação, que negocia a múltiplos considerados baixos para o setor.
Valuation atrativo sustenta recomendação
Um dos principais pilares da tese de investimento continua sendo o valuation. A Vivara negocia atualmente entre 7,5x e 6x o lucro projetado para 2026-27, um nível que a coloca entre os papéis mais descontados da cobertura da XP.
“Vemos a companhia como um dos nomes mais baratos da nossa cobertura, com riscos já amplamente precificados”, afirmam Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer.
A casa também destaca que a empresa tende a ser menos impactada pela nova legislação trabalhista, dado seu modelo de remuneração com forte componente de comissões, o que reduz a pressão estrutural sobre custos.
Além disso, o ambiente competitivo e os desafios macro não alteram a expectativa de crescimento da companhia no médio prazo, ainda que o ritmo possa ser mais gradual.
Nova gestão como vetor de eficiência
Outro ponto central da análise é a nova gestão da Vivara, liderada pelo CEO Thiago Borges e pelo COO Cassiano Lemos. A XP acredita que os executivos ainda estão nos estágios iniciais de implementação de melhorias operacionais.
“Acreditamos que as melhorias operacionais devem se materializar gradualmente sob a nova administração”, destacam os analistas.
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