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Ação da Natura pode sofrer “de-rating” em breve; entenda

Ação da Natura pode sofrer “de-rating” em breve; entenda

XP avalia que se a Advent exercer sua opção de encerramento antecipado de seu compromisso, os papeis podem sofrer com incertezas

A XP Investimentos cortou suas estimativas para a Natura (NATU3) e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 15 para R$ 13,50 para o final de 2026, após resultados do primeiro trimestre abaixo do esperado e uma perspectiva ainda desafiadora para os próximos meses.

Apesar do movimento, o banco mantém recomendação de compra, apostando em uma recuperação gradual a partir do segundo semestre.

As estimativas de Ebitda e lucro líquido para 2026 e 2027 foram cortadas entre 6% e 42%, com o lucro líquido projetado para 2027 agora 13% abaixo do consenso de mercado.

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Receita ainda sob pressão

A dinâmica de receita segue desafiadora. A administração da Natura sinalizou tendências marginalmente melhores para o segundo trimestre, sustentadas por campanhas de estímulo à produtividade das consultoras.

No entanto, a XP aponta dois riscos negativos relevantes para o período: a implementação do sistema SAP e o impacto da Copa do Mundo sobre o ritmo de vendas.

Para o segundo semestre, a base de comparação mais favorável deve permitir que o crescimento retorne a território positivo, com vendas estimadas crescendo 8% na comparação anual.

O fim da Substituição Tributária do ICMS também representa um vento contrário no segundo trimestre, embora deva ser majoritariamente neutralizado a partir de julho, com a extinção do mesmo regime para vendas diretas.

Margens pressionadas

A margem bruta no Brasil surpreendeu negativamente no primeiro trimestre, ficando em 69,3%. A XP assume que essa compressão deve persistir, pressionada por inflação de custos e esforços promocionais.

O contraponto vem dos ganhos de reestruturação em andamento, que devem compensar parte dessa pressão ao longo do ano.

A geração de caixa livre é vista como sólida mesmo no cenário mais conservador: a XP estima FCF de R$ 1 bilhão considerando despesas pontuais, e de R$ 1,5 bilhão excluindo esses itens — o que implica um FCF yield de aproximadamente 8%.

Advent com opção de saída em junho é o principal risco

O maior ponto de atenção do relatório é a opcionalidade da Advent de encerrar antecipadamente seu compromisso de compra em 30 de junho, caso o preço médio da ação supere R$ 9,75 durante um período acordado.

A XP acredita que essa condição já foi atingida, uma vez que a Natura vem sendo negociada acima desse patamar desde o anúncio do acordo.

Se a Advent exercer a opção, as ações devem sofrer pressão significativa, refletindo a deterioração do cenário macroeconômico e a incerteza de curto prazo — um risco que os analistas classificam como potencial gatilho de de-rating para o papel.