O BTG Pactual elevou o preço-alvo da Eneva (ENEV3) de R$ 20 para R$ 31 por ação após os resultados do leilão de capacidade e agora pode ser considerada uma “compounder”, segundo relatório assinado pelos analistas Antonio Junqueira, Gisele Gushiken e Maria Schutz nesta segunda-feira (30). O banco destaca que a companhia garantiu 3,5 GW em novos projetos (ou 2,6 GW considerando suas participações em cada usina), superando as expectativas.
“Embora sempre esperássemos que a Eneva, no mínimo, adicionasse 1,3 GW de nova capacidade no leilão (via Celse 2, que víamos como um projeto altamente competitivo), nosso preço-alvo anterior apenas considerava a renovação de contratos existentes para usinas como Parnaíba I, III, Itaqui, Pecém e usinas menores baseadas no ES. O sucesso da companhia no leilão superou as expectativas, já que garantiu 3,5 GW de novos projetos“, destacam os analistas.
Receita anual de R$ 11,7 bilhões
As receitas anuais de todos os projetos totalizam R$ 11,7 bilhões (R$ 9,6 bilhões em base proporcional). A duração média ponderada das receitas contratadas atingiu 13,44 anos (em base proporcional).
“Em um cenário hipotético com margem Ebitda de 80%, isso se traduz em um Ebitda proporcional de R$ 7,7 bilhões ao longo desse período”, afirmam Junqueira, Gushiken e Schutz.
De dependente de despacho para geradora estável
Desde que a Eneva adquiriu a Celse e venceu o leilão da “Eletrobras” (a termelétrica Azulão), a companhia tem reduzido sua dependência de despacho.
“Em um passado não tão distante, os investidores viam a Eneva como um veículo de investimento para ganhar exposição a períodos de preços spot elevados. Com os contratos de longo prazo que a companhia garantiu, acreditamos que a história de equity da Eneva mudará para se tornar uma geradora de fluxo de caixa estável”, pontuam os analistas.
Entra no grupo dos “Compounders”
O BTG avalia que a Eneva agora atende aos critérios de investimento de um “Compounder”: baixo risco de receita, proteção contra inflação, forte histórico de alocação de capital e oportunidades de investimento promissoras à frente.
“Receitas de capacidade protegidas contra inflação são excelentes para estabilizar o fluxo de caixa da companhia e ajudá-la a se tornar um verdadeiro compounder. Geralmente é mais desafiador para geradoras alcançar esse status devido ao comportamento tipo commodity dos preços de energia. A Eneva, porém, parece diferente de uma geradora típica”, destacam.
Dividendos podem atingir 90% do market cap
Dada o novo perfil de fluxo de caixa da Eneva, a companhia identificará fortes oportunidades de alocação de capital ou distribuirá dividendos significativos no futuro. Se nenhum projeto for desenvolvido, o BTG antecipa que o fluxo de caixa da companhia aumentará para mais de R$ 11 bilhões em 2030.
“Se a companhia mirar alavancagem de 1,5 vez em 2032 — e não encontrar novas oportunidades de alocação de capital até lá —, poderia pagar R$ 41,5 bilhões em dividendos até 2032 (isso é 90% do market cap atual)”, concluem os analistas.
O banco projeta que a alavancagem da companhia deve atingir um pico de 4,6x em 2026, mas cair para abaixo de 2x já em 2029. O BTG vê uma taxa interna de retorno (IRR) de 11,5% para a Eneva, com um trade-off entre “crescimento ou dividendos” começando em 2029.
Leia também:






