Em 2019 foi possível ganhar muito dinheiro com o Tesouro Direto. Isso porque a queda dos juros ao longo do ano passado favoreceu a marcação a mercado. Em outras palavras, os títulos de renda fixa valorizam quando os juros diminuem em razão da marcação a mercado.
Já que a mesma atribui valores mais altos aos títulos emitidos quando a Selic era mais alta. Se os títulos são mantidos até o vencimento, porém, o rendimento recebido é o contratado na aquisição.
O Tesouro IPCA+ 2045, por exemplo, disparou 58,09% no ano passado, enquanto o Ibovespa, teve alta de 31,6%.
Além disso, outros títulos públicos tiveram alta, entre os destaques, título com vencimento para 2035 valorizou 36,57%. Ao mesmo tempo, os de vencimento em 2050 e juros semestrais valorizaram 33,05%.
Por outro lado, entre os títulos prefixados, a maior alta foi de 23,38%, do papel com juros semestrais e vencimento em 2029.
Entre os títulos públicos, quem apresentou a menor rentabilidade foi o Tesouro Selic, que rendeu 5,94% no ano.
A grande dúvida dos investidores agora é se os títulos públicos seguirão nesse caminho de alta.
Perspectiva para 2020
Para os especialistas consultados pelo InfoMoney, é muito difícil que a alta do ano passado continue em 2020. Já que o espaço para a queda dos juros é menor.
Conforme relatório Focus divulgado pelo Banco Central, a taxa Selic deve encerrar 2020 em 4,5% ao ano.
Com a decisão, os títulos do Tesouro Direto passaram a ter queda generalizada de preços, com perdas que chegaram a quase 8%.
No Tesouro IPCA+ 2045, a perda foi de 7,7%, já no IPCA+2035 caiu 4,6%.
“As NTN-Bs [Tesouro IPCA+] são uma excelente proteção contra a inflação, mas, no que diz respeito a alavancar a rentabilidade e sair do papel antes do vencimento, o quadro de 2018 e 2019 não vai se repetir”, afirma Flavio Byron, sócio do escritório Guelt Investimentos.
Os especialistas afirmam ainda que títulos de longo prazo podem ser boa opção. Porém, daqui para frente os ganhos serão menores.
Na avaliação de Paulo Miguel, sócio do family office Julius Baer, os papéis do tipo Tesouro IPCA+ com vencimentos acima de dez anos podem ser atrativos. “O desafio agora vai ser o de estender os prazos, porque, quanto mais longo, mais volátil o papel, então é preciso dosar e ter um percentual de alocação menor do que anteriormente”, diz.
Por outro lado, os papéis mais curtos dificilmente irão oferecer rentabilidade atraente pois as taxas já estão precificadas.






