O Tesouro IPCA+ 2032 superou a marca de 8,3% de juro real ao ano nesta quarta-feira (10), alcançando o maior patamar em cerca de 17 anos para um título público indexado à inflação com prazo superior a cinco anos.
Segundo dados do Tesouro Direto consultados às 14h59, o papel era negociado com rentabilidade de IPCA + 8,37% ao ano, preço unitário de R$ 2.882,87 e aplicação mínima de R$ 28,82. O vencimento do título é em 15 de agosto de 2032.
A última vez em que um título do Tesouro IPCA+ com prazo acima de cinco anos havia ultrapassado esse nível foi em dezembro de 2008, durante a crise financeira global, quando as taxas também ficaram acima de 8,3% ao ano.
O movimento ocorre em meio à expectativa de juros elevados por mais tempo no Brasil e no exterior. A piora na percepção sobre inflação global, influenciada por tensões geopolíticas e alta de commodities como petróleo e fertilizantes, tem levado investidores a exigir prêmios maiores para carregar títulos de prazo mais longo.
No Brasil, a mudança de perspectiva também afetou as projeções para a taxa Selic. A expectativa de queda gradual dos juros perdeu força diante de um ambiente externo mais incerto e de pressões inflacionárias mais persistentes.
Tesouro Direto hoje: taxas seguem elevadas
Além do Tesouro IPCA+ 2032, outros títulos indexados à inflação também eram negociados com taxas reais elevadas nesta quarta-feira. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 pagava IPCA + 7,98%, enquanto o Tesouro IPCA+ 2040 oferecia IPCA + 7,68% ao ano.
Nos prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 tinha rentabilidade de 14,99% ao ano, e o Tesouro Prefixado 2032 pagava 14,85% ao ano. Já o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 era negociado a 14,74% ao ano.
A alta das taxas ocorre porque os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação se movem em direção oposta às taxas de mercado. Quando os juros futuros sobem, o valor dos papéis cai, elevando a rentabilidade oferecida a novos investidores.
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Marcação a mercado exige atenção
Apesar do patamar elevado das taxas, os títulos do Tesouro IPCA+ estão sujeitos à marcação a mercado. Isso significa que o preço do papel pode oscilar antes do vencimento, conforme as condições de juros, inflação e risco fiscal.
Para quem vende o título antes do prazo final, essas oscilações podem gerar ganhos ou perdas. Já o investidor que carrega o papel até o vencimento recebe a rentabilidade contratada no momento da aplicação, conforme as regras do Tesouro Direto.
O avanço do Tesouro IPCA+ 2032 para acima de 8,3% reforça a reprecificação da curva de juros brasileira e mantém a renda fixa em destaque no cenário de juros altos.






