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O segredo da renda variável

O segredo da renda variável

Felipe Paletta

Felipe Paletta

21 Jul 2022 às 16:35 · Última atualização: 21 Jul 2022 · 7 min leitura

Felipe Paletta

21 Jul 2022 às 16:35 · 7 min leitura
Última atualização: 21 Jul 2022

foto de prédios: FIIs

Desde o início da pandemia, a inflação brasileira, medida pelo IPCA, acumulou mais de 22% de alta. 

No mesmo período, o retorno acumulado do IFIX – o principal índice dos fundos imobiliários – e do CDI – principal índice de referência para mensurar retorno dos títulos de renda fixa – acumularam, respectivamente, retornos de 12% e 13%.

Isto é, a não ser que você tenha deixado todo o seu patrimônio em títulos de renda fixa IPCA+ nos últimos dois anos, você está perdendo para a inflação. 

“Ué, mas se os contratos de aluguel dos imóveis que fazem parte dos FIIs são corrigidos pela inflação e os títulos de renda fixa que também compõem os portfólios dos FIIs de papel corrigem a inflação no curto prazo, como isso pode acontecer?”

Essa pergunta é tão boa que me inspirou a escrever essa coluna só para te contar um pouco sobre os segredos da renda variável

Afinal de contas, você já se perguntou por que raios as pessoas investem em renda variável, como ações ou fundos imobiliários

Na essência, investir é colocar o seu dinheiro na mão de alguém, esperando um retorno sobre aquele valor no futuro. Quanto mais arriscada for a mão de quem recebe esse dinheiro, maior o retorno exigido para fazer sentido. 

É por isso que quando alguém da família te pede dinheiro e sabemos que existe o risco dessa pessoa não pagar, nem topamos. Como a oferta de crédito para essa pessoa está em baixa, ele terá de pagar um juro cada vez mais alto para que alguém aceite correr esse risco. 

É assim que o mundo funciona. Nada anormal. 

Da mesma maneira, quando confiamos muito em alguém e sabemos da sua capacidade de pagamento, nem cobramos ou cobramos muito pouco. Essa é a lógica. 

Acontece que o próprio governo precisa arrecadar recursos e emite no mercado títulos com a promessa de pagamento no futuro. Hoje, por exemplo, se você topar deixar o seu dinheiro na mão do governo até 2025, receberia o equivalente a 44% de retorno acima do valor emprestado. 

foto de prédios

Parece bastante, não é? Mas façamos algumas contas. 

Renda Variável = Renda Fixa + Prêmio

Se a inflação nesse período – de hoje até 2025 – for algo perto de 6% ao ano, a inflação comeria quase 20% desse seu retorno estimado de 44%. Seu retorno acima da inflação seria próximo de IPCA+ 6,5%. Um bom retorno. 

Ou seja, para comprar uma ação ou um fundo imobiliário, esses ativos têm que ser capazes de retornar no futuro pelo menos IPCA+ 6,5% mais um prêmio de risco específico desse negócio, caso contrário a procura por esses ativos será baixa e os seus preços tendem a cair. 

Em termos técnicos, é como dizer que o que dita o valor de um ativo ao longo do tempo é a sua capacidade de gerar fluxos de caixa crescentes, acima da inflação, e a uma taxa superior ao retorno pago pelos títulos do governo mais o que seria o risco do seu negócio. 

No Brasil, por exemplo, esse chamado Prêmio de Risco está na casa dos 5% ao ano. Isto é, além de entregar para o investidor um retorno equivalente à inflação + 6,5%, você só toparia comprar uma ação se além desse retorno a empresa retornasse mais 5% ao ano. 

Fazendo um paralelo com o exemplo dos títulos do Tesouro Direto, comprar uma ação hoje significa que você espera que ela te retorne nos próximos três anos o equivalente a 64% vs. 44% do título do Tesouro. 

No final das contas, o sobe e desce das suas ações e cotas de Fundos Imobiliários nada mais é do que a representatividade do quão crentes os investidores estão na ideia de que essa empresa ou esses fundos são capazes de entregar retornos acima, em linha ou abaixo desses 64% até 2025. 

Agora, preste atenção: essas métricas mudam o tempo todo.

No meio da pandemia, quando o governo baixou a taxa de juros do país para 2%, um título do governo por 3 anos pagava o equivalente a IPCA+ 2%, apenas. 

Significava, portanto, que uma empresa não precisaria entregar de retorno os 64% em três anos, mas apenas 40%, ou o equivalente a 12% ao ano. 

Eu sei, parece complexo, mas se você entender essa dinâmica bem, dificilmente vai perder dinheiro na vida. Isso serve para avaliar o investimento em qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. 

Se você prestou atenção até agora, fica claro que o que aconteceu no último ano – e que justifica a variação abaixo da inflação dos FIIs e do CDI – é que à medida que a taxa de juros subiu, os investidores começaram a exigir que aquelas ações ou FIIs entregassem um retorno muito maior, já que investir em títulos de renda fixa que corrigem a inflação passou a dar um retorno maior. 

Entende agora por que aqueles investimentos mais arriscados, como Magazine Luiza, Via Varejo, entre outras empresas que prometiam um retorno muito elevado no futuro, caíram bastante?!

Simplesmente os investidores perceberam que havia muita expectativa incorporada nos preços dos ativos e que não valeria a pena o risco de segurar essas ações, já que a inflação está tão alta, assim como a taxa de juros. 

Por outro lado, todo esse medo de investir agora em renda variável cria assimetrias muito grandes e deixa oportunidades muito boas na mesa. 

Desde a sua criação, em 2011, os FIIs que fazem parte do IFIX são capazes de entregar um prêmio bem interessante de 3 pontos percentuais ao ano, acima de um título IPCA+ do Tesouro Direto. 

O que significa que essa perda de valor para inflação, bastante expressiva no curto prazo, não se justifica no longo prazo. Afinal, Renda Variável = Renda Fixa + Prêmio. 

O tempo, caro leitor, trata sempre de equilibrar as coisas. 

Quando as coisas parecem ruins o bastante e quanto mais o estômago dói de segurar seus ativos quando o mercado cai, mais próximo estamos de ver a mágica acontecer.

E assim como o mercado exagera para baixo, exagera para cima. 

Quem comprou FIIs em 2011 e vendeu no final de 2019, por exemplo, conseguiu um retorno de quase 6 pontos porcentuais ao ano acima de um título IPCA+ do governo. As oportunidades aparecem e eu posso te ajudar (veja na Monett minha carteira de FIIs). Estamos vivendo o melhor momento dos próximos anos para investir em bons FIIs e em boas ações, pode me cobrar!

Nos vemos semana que vem!

Por Felipe Paletta, analista CNPI da Monett

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