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Safra eleva aposta no ‘miolo da curva’ com NTN-Bs 2032-2035

Safra eleva aposta no ‘miolo da curva’ com NTN-Bs 2032-2035

Casa alonga duration para capturar segundo estágio do ciclo de corte da Selic e reduz peso em NTN-Bs curtas; IPCA implícito chega a 7,9%

O Safra alongou a duration recomendada em títulos públicos para capturar o prêmio no centro da curva, em atualização da estratégia de renda fixa divulgada nesta sexta-feira (15).

A casa elevou para 40% do portfólio a posição em NTN-Bs intermediárias com vencimentos entre 2032 e 2035, que negociam com prêmio de 190 a 300 pontos-base sobre o juro real neutro estimado, e reduziu o peso em papéis de prazo mais curto.

A tese parte da leitura de que o fechamento da curva tende a migrar do curto prazo para o intermediário no segundo estágio do ciclo de afrouxamento monetário. O Copom entregou o segundo corte da Selic em 29 de abril, levando a taxa básica de 14,75% para 14,50% por decisão unânime, e o mercado projeta a taxa em 13% no fim de 2026, ritmo mais gradual do que se imaginava em meados de março.

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Recompõe o portfólio

Na nova distribuição, NTN-Bs com vencimento entre 2032 e 2035 passam a representar 40% do portfólio, posição central da estratégia. Os papéis 2028-2030 caem de 40% para 30% do peso, ainda que com taxas reais acima de 7,8%. As LFTs 2030-2031 atuam como âncora de liquidez (20%), com ágios entre 0,07% e 0,10% sobre a Selic, e LTNs jan/28 e jul/28 entram como posição tática (10%). A NTN-B 2050 fica como complementar com peso neutro, dada a vulnerabilidade da duration próxima a 12 anos ao risco fiscal.

A NTN-B 2032 negocia a 7,76% e a NTN-B 2035 entre 7,57% e 7,60%, com prêmio de 190 a 300 pontos-base sobre o juro real neutro estimado pela casa. A inflação implícita derivada do contrato de DI janeiro de 2035, hoje em 14,07%, fica entre 6% e 7,9%, patamar que historicamente paga em ambientes de inflação resistente, segundo o relatório.

“O vetor principal de ganho do segundo estágio do ciclo está no miolo da curva”, afirmaram os analistas Yuri Machado e Roberto Pasqualini, do Credit Research do Safra, no relatório.

Cenário em deterioração

A escolha por papéis com proteção à inflação é justificada pela piora recente das expectativas. A mediana do boletim Focus para o IPCA nos próximos 12 meses subiu de 3,93% no início de março para 4,91% em 11 de maio, acompanhada da ampliação do desvio-padrão das projeções, sinal de que o mercado está mais heterogêneo sobre a trajetória da inflação. O IPCA fechou os 12 meses encerrados em abril a 4,39%, com alta mensal de 0,67%, contra 0,88% em março.

No ambiente externo, o conflito no Irã mantém o petróleo Brent operando próximo a US$ 110 por barril, com pico em torno de US$ 115 no início de maio, entre os valores mais altos desde 2022.

O Federal Reserve manteve os Fed Funds no intervalo entre 3,50% e 3,75% na reunião de 29 de abril, mas a decisão saiu com dissensão de quatro membros, o que sinaliza, segundo o relatório, ruptura do consenso técnico sobre a trajetória dos juros americanos. O real foi a moeda emergente com melhor desempenho no período, com a PTAX caindo para R$ 4,93 em 6 de maio, queda de cerca de 7,7% no trimestre.

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Vetor fiscal segue como maior risco

O quadro fiscal é apontado pela casa como o vetor de maior risco para a tese. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) cruzou os 80% do PIB em março, alcançando 80,07%, contra 78,73% em janeiro. O Tesouro projeta 83,6% no final de 2026 e pico de 88,6% em 2032. Os juros nominais sobre o PIB subiram para 8,35%, em uma dinâmica em que o próprio custo de carregamento alimenta a expansão do passivo.

Os primeiros sinais de fadiga no crédito doméstico também já apareceram. A inadimplência total do Sistema Financeiro Nacional subiu de 4,05% em novembro para 4,33% em março, com pessoa física no crédito livre em 7,03%, micro e pequenas empresas em 6,01% e grandes empresas em 0,60%, patamar que mais que dobrou desde novembro de 2025.

Por essa razão, o Safra evita prefixados de prazo superior a três anos. A abertura recente da inclinação entre o DI janeiro de 2035 e o DI janeiro de 2031, iniciada em maio, é lida pela casa como prêmio fiscal pré-eleitoral.

“Estamos evitando prefixados longos. A abertura da curva F35-F31 iniciada em maio reflete prêmio fiscal pré-eleitoral que tende a se ampliar”, afirmaram Machado e Pasqualini.