A barriga da curva de juros reagiu nesta sexta-feira depois que Rogério Ceron, secretário-executivo da Fazenda, sinalizou que o Tesouro Nacional está vigilante ao mercado de NTN-Bs e aberto à possibilidade de intervenção. A taxa real desses papéis indexados à inflação supera 8% ao ano, nível que preocupa o governo.
Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, sistematizou o debate em dois campos. O primeiro defende que não há disfuncionalidade.
“As NTN-Bs estão no preço certo e só se tornarão atrativas quando a inflação reduzir mais, que é o call da BGC. A inflação abaixo de 4% seria o nível correto para reativar o apetite do mercado”, disse Tavares.
Até lá, os papéis seguem pressionados sem que isso configure um mercado quebrado.
Dois cenários dividem o mercado sobre as NTN-Bs
O segundo campo é mais pessimista com a dinâmica estrutural.
“Historicamente a inflação raramente ficou abaixo de 4%, de forma que seria pouco provável que o mercado volte a funcionar naturalmente”, apontou o economista.
Nessa leitura, a disfuncionalidade seria clara e o Tesouro deveria anunciar a recompra já na semana que vem.
A sinalização de Ceron foi suficiente para mover o mercado hoje.
“Com a notícia do Ceron deixando aberta a possibilidade para intervenção, a barriga da curva apresentou movimento, com o mercado mostrando um pouco de apetite pelos papéis”, observou Tavares.
A próxima semana começa com investidores atentos aos sinais do Tesouro sobre um eventual anúncio formal de recompra.
Tesouro sinaliza capacidade e disposição para agir
Ceron deixou claro em entrevista à Folha de S.Paulo que o Tesouro tem musculatura para intervir.
“Se precisar recomprar forte, não há problema nenhum. O Tesouro está preparado”, afirmou o secretário.
Uma eventual decisão será técnica e dependerá das condições de liquidez do mercado.
Em março, durante período de volatilidade, o Tesouro realizou intervenções superiores a R$ 47 bilhões que ajudaram a conter a alta dos juros, referência que sustenta a credibilidade da sinalização atual.
Ceron também alertou que a gestão da dívida já se preparou para um segundo semestre de maior turbulência por conta do calendário eleitoral.
“O que eu combato é o argumento superficial. Existe uma necessidade de a gente trabalhar juntos, como país, para ter um nível de taxa de juros menor”, concluiu o secretário-executivo da Fazenda.
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