Os bancos brasileiros encerraram o quarto trimestre de 2025 com as instituições digitais se destacando. No ranking de base de clientes, o Nubank (NU; ROXO34) voltou a assumir a liderança em adições líquidas. A fintech somou 2,7 milhões de novos clientes no trimestre e alcançou 112 milhões de usuários, ultrapassando oficialmente o Bradesco (BBDC4) e se tornando o maior banco privado do país em número de clientes. A avaliação está em relatório do banco Safra, elaborado a partir dos dados do Índice de Reclamações divulgados pelo Banco Central (BC), que funciona como um importante termômetro de satisfação dos clientes no sistema financeiro.
O Mercado Pago também manteve crescimento consistente, chegando a 68,8 milhões de clientes. O Inter (INBR32) acelerou seu ritmo e adicionou 1,9 milhão de usuários, enquanto, entre os bancos tradicionais, o Banco do Brasil (BBAS3) foi o principal destaque, com aumento de 1,1 milhão de clientes. As demais instituições apresentaram desempenho mais fraco nesse indicador.
O Nubank manteve seu forte ritmo de crescimento, com aproximadamente 2 milhões de novos clientes com relacionamento de crédito por trimestre, o que representa cerca de 70% de suas novas adições totais. Com isso, a penetração de crédito avançou para 62,3% no período. O Inter também seguiu em trajetória positiva, adicionando cerca de 700 mil clientes com crédito ativo e elevando sua penetração em 0,3 ponto percentual, ainda que em ritmo mais moderado do que no trimestre anterior.
Bancos brasileiros: C6 tem maior apetite por risco
Outro destaque do período foi o avanço dos bancos digitais na originação de crédito. Segundo o Safra, C6 Bank, Nubank e Inter ampliaram de forma significativa a penetração de crédito no trimestre, reforçando uma tendência estrutural de ganho de espaço frente aos bancos tradicionais. Porém, o C6 se sobressaiu. A instituição elevou sua penetração de crédito em 2,7 pontos percentuais na comparação trimestral, alcançando 26%, movimento acompanhado da adição de cerca de 1 milhão de novos clientes. Para o Safra, esse ritmo sugere um apetite maior por risco por parte da instituição.
Entre os grandes bancos incumbentes, o avanço foi mais contido. A Caixa Econômica Federal foi a única a apresentar aumento mais relevante na penetração de crédito, enquanto Santander e Itaú registraram novas reduções, movimento que, segundo o Safra, indica uma postura mais conservadora dessas instituições no atual ciclo.
Do ponto de vista da experiência do consumidor, os dados do Banco Central apontaram uma melhora generalizada nos índices de reclamações no quarto trimestre. Apesar disso, o ranking sofreu poucas alterações. O Banco Inter foi o caso mais emblemático, avançando quatro posições após uma redução expressiva no número de reclamações. Nubank e Banco do Brasil mantiveram suas posições de liderança pelo sexto trimestre consecutivo, reforçando, segundo o Safra, uma combinação de escala, eficiência operacional e foco na experiência do cliente.
Leia também:






