Em novembro de 2021, o mercado de criptoativos alcançou o market cap de 3,7 trilhões de dólares. Atualmente, está na casa de 1 trilhão de dólares. No entanto, especialistas estimam que ele possa alcançar os 300 trilhões de dólares.
Usando a tecnologia blockchain, os criptoativos estão sendo inseridos no mercado de forma cada vez mais abrangente, seja como meio de pagamento ou como opção de investimento.
Mas, como está o mercado hoje? Para onde os experts estão olhando?
Para discutir todas essas questões e como ficam os investimentos em criptoativos em 2023, a Money Week convidou Felippe Percigo, empreendedor e produtor de conteúdo Cripto. A conversa foi mediada por Helena Margarido, co-fundadora e head de cripto da Monett.
Entenda as projeções do mercado e se posicione de forma adequada para o que está por vir.
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Criptoativos: bear market até quando?
Esperado pelos analistas de cripto em razão das tendências de repetição de ciclo do Bitcoin, o ‘bear market’ de 2022 foi acelerado pela crise macroeconômica global.
No entanto, a pergunta central do momento é: “quanto tempo essa baixa se estenderá?”. Estaríamos perto do fim?
Para Felippe Percigo, produtor de conteúdo sobre mercado cripto, o mercado global para os investimentos de modo geral não está positivo. Nesse sentido, ele cita as políticas monetárias, os cenários inflacionários e a alta dos juros mundo afora, aspectos que impactaram na queda acentuada das criptos.
“Dado o mercado atual, as criptos estão indo bem. Não se sabe até quando teremos queda, mas é fato que já caiu bastante. O bear market já está durando mais do que esperado. Não é possível esperar uma recuperação no curtíssimo prazo, sem pensar que a economia mundial precisaria melhorar para que isso, de fato, aconteça”, comenta.
Ciclo de alta ou estabilidade? O que esperar do Bitcoin no médio e longo prazo?
Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares. No entanto, Percigo não se arrisca a respondê-la. Ele lembra que nenhuma tese sobre o Bitcoin até o momento se concretizou.
“Já ouvimos falar sobre este ser um ativo anti-frágil, hedge de inflação, entre outros. A recuperação no pós-Covid foi mais rápida, no entanto, ainda não sabemos bem o motivo desse comportamento”, observa.
Para ele, apesar de toda a instabilidade, algo positivo no mercado é a evolução tecnológica do blockchain, principalmente, quanto ao Ethereum, criação de aplicativos, NFTs, DeFi.
“Apesar do preço do Bitcoin – a principal criptomoeda – ter caído nos últimos tempos, vejo que a tecnologia por trás desses ativos está avançando e endo incorporada aos diversos mercados. Isso faz com que o mercado de investimento também cresça”.
De acordo com o painelista, apesar do momento atual estar desfavorável, ele vê o mercado cripto de maneira otimista a médio e longo prazo. “Está em amadurecimento. A usabilidade do blockchain está aumentando cada vez mais, e isso pode fazer com que o preço dos ativos subam”, espera.
Sobre a perspectiva de viver constantes ciclos de altas e baixas, Felippe acredita que uma estagnação deve ocorrer em algum momento.
“Talvez, o Bitcoin se torne obsoleto em 20 ou 30 anos. Não acredito que ele dure mais que 50 anos como sendo a principal moeda. Isso porque, é preciso analisar as criptos através da evolução de suas tecnologias”, destaca.
Para se ter uma ideia, existem hoje no mercado mais de 20 mil criptomoedas no mercado, conforme relata Helena Margarido.
Ethereum pode passar o valor de mercado do Bitcoin?
Para Felippe Percigo essa é uma possibilidade viável. Isso porque, na avaliação dele, o mercado somente com o Biticoin não se sustenta como tão atrativo.
“Você compra um Bitcoin e deixa na carteira. Ao passo que quando olhamos para a rede Ethereum, vemos possibilidades com o DeFi, as NFTs, o armazenamento de dados descentralizados, entre outras coisas. A aplicação da rede é gigantesca”, destaca.
Já em relação ao valor unitário, a avaliação de Percigo é diferente. “Acho que é difícil o Ether passar o Bitcoin. Principalmente, porque o Bitcoin é uma moeda escassa e o Ether não. Então, eu diria que em relação a valor de mercado não deve superar, mas no que diz respeito à capitalização de mercado, sim”, define.
Regulação do cripto mercado: o que esperar?
Para o painelista, a regulação é necessária em alguns pontos, como os que estão relacionados à atuação das corretoras. “É uma quantidade grande de dinheiro que fica sob custódia. Se não houver regulação, as pessoas podem perder dinheiro. A regulação pode blindar o investidor”, observa.
Já com relação ao Ether, existem ainda muitas dúvidas a serem respondidas. “Nem a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sabe ainda responder. Acredito que será um processo natural que irá se desenrolar. Se der tudo certo, fará com que o ativo se valorize. Pelo menos, um norte deve ser dado aos investidores”, analisa.
Mercado cripto: qual é a próxima grande tendência?
“O mercado é feito de ciclos. Acredito que os protocolos que conectem o blockchain com o mundo real serão os responsáveis pelo próximo ‘boom’. Nesse sentido, acredito na rede Chainlink. Mas, tudo é possível. Pode ser que a próxima grande tendência venha de algo que esteja sendo criado hoje, nesse exato momento”, finaliza.
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