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JPMorgan aposta alto no Brasil e vê dólar cair para até R$ 4,70

JPMorgan aposta alto no Brasil e vê dólar cair para até R$ 4,70

Após a forte reação dos mercados ao primeiro turno, banco eleva recomendação para o real e os juros brasileiros

O resultado do primeiro turno das eleições mudou a percepção do JPMorgan sobre os investimentos no Brasil. Depois da forte movimentação registrada nos mercados brasileiros, o banco decidiu aumentar a exposição ao país e passou a recomendar posições acima da média tanto no real quanto nos juros.

A instituição entende que a eleição trouxe uma redução importante da incerteza que vinha sendo incorporada aos preços dos ativos. Com isso, o cenário para o Brasil passou a ser visto de maneira mais favorável, principalmente diante da possibilidade de uma transição política acompanhada por um Congresso com maior presença de partidos de direita e centro-direita.

Na avaliação dos estrategistas, Flávio Bolsonaro ganhou vantagem na corrida eleitoral e se tornou o nome mais bem posicionado para o segundo turno. O desempenho dos partidos no Legislativo também entrou no cálculo do banco, já que uma composição mais alinhada poderia facilitar a construção de uma agenda econômica voltada ao ajuste das contas públicas.

A combinação desses fatores levou o JPMorgan a revisar sua estratégia. No câmbio, a instituição passou a trabalhar com a possibilidade de o dólar atingir entre R$ 4,70 e R$ 4,80.

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Real ainda tem espaço para avançar

O fortalecimento da moeda brasileira não seria apenas consequência da eleição. Para o JPMorgan, o nível dos juros continua sendo uma das principais vantagens do real diante de outras moedas de países emergentes.

O chamado carry trade, estratégia que busca aproveitar diferenças nas taxas de juros entre países, pode voltar a favorecer o Brasil. Mesmo com a queda recente das taxas, o retorno proporcionado pelos ativos brasileiros permanece elevado quando comparado ao de outras economias emergentes.

Por isso, o banco acredita que a valorização do real pode continuar caso o cenário político esperado pelos investidores se confirme.

Um resultado favorável para Flávio Bolsonaro nas pesquisas seria um dos gatilhos capazes de ampliar esse movimento. Outro seria a sinalização de uma política econômica comprometida com uma melhora mais consistente das contas públicas.

Nesse ponto, o Congresso terá papel importante. Uma eventual maioria mais favorável à agenda econômica poderia aumentar a possibilidade de aprovação de medidas de contenção de gastos e de reformas estruturais.

O JPMorgan mantém, paralelamente, uma operação de opções com prazo de três meses envolvendo o dólar e o real. A estrutura utiliza um put spread com referências em R$ 5,00 e R$ 4,80.

Mercado já mostra queda do risco eleitoral

A percepção de que a eleição representa um risco menor para os investidores também aparece nos preços das opções de câmbio.

As volatilidades implícitas para os prazos de um e três meses diminuíram aproximadamente 6,5 e 3 pontos, respectivamente, desde o primeiro turno.

A mudança foi ainda mais evidente quando o mercado passou a precificar especificamente o segundo turno. A volatilidade futura, que estava próxima de 90 em 2 de outubro, caiu para aproximadamente 45.

Segundo o JPMorgan, esse nível aponta para uma oscilação esperada de cerca de 1% no USD/BRL no pregão seguinte à votação.

Na prática, o mercado passou a enxergar um resultado eleitoral menos capaz de provocar grandes movimentos no câmbio.

Juros brasileiros continuam sendo um diferencial

A perspectiva de um real mais forte também está ligada à expectativa de que o Brasil continuará oferecendo taxas de juros elevadas por um período relevante.

O JPMorgan mantém sua estimativa de Selic em 12,25% no encerramento de 2027. Para o banco, mesmo que essa projeção venha a ser reduzida posteriormente, o diferencial entre os juros brasileiros e os praticados em outros mercados emergentes ainda seria suficiente para manter o país atrativo para investidores.

Essa é uma das razões pelas quais a instituição não vê necessariamente um conflito entre duas tendências que, à primeira vista, poderiam parecer incompatíveis: queda da Selic e valorização do real.

Enquanto os juros permanecerem elevados em termos relativos, o Brasil pode continuar oferecendo remuneração suficiente para sustentar o interesse por sua moeda.

O cenário mudaria caso as expectativas para a taxa básica caíssem para níveis inferiores a 10%. Por enquanto, porém, esse não é o caminho considerado mais provável pelo banco.

A valorização do real ainda teria outro efeito positivo. Uma moeda mais forte reduz a pressão sobre preços de produtos e componentes importados e pode ajudar a melhorar as expectativas de inflação.

Com a inflação sob controle, o Banco Central teria mais liberdade para continuar reduzindo a Selic.

Curva de juros avançou mais do que o esperado

Se a reação do câmbio ficou próxima da visão do JPMorgan, o desempenho dos juros surpreendeu mais o banco.

Antes da abertura dos negócios depois do primeiro turno, a instituição já considerava interessante uma estratégia aplicada nos vencimentos mais longos da curva. Uma taxa em torno de 13% era vista como um nível plausível.

O mercado, entretanto, foi além dessa expectativa logo no primeiro pregão.

A queda expressiva das taxas levou os estrategistas a mudar o foco da análise. O debate deixou de ser apenas sobre a possibilidade de uma melhora dos fundamentos e passou a envolver o quanto dessa melhora já está refletida nas cotações.

O componente fiscal continua sendo considerado decisivo. Para o JPMorgan, uma trajetória consistente de redução do risco associado às contas públicas será necessária para justificar novas quedas relevantes dos juros.

O problema é que parte desse otimismo já foi incorporada aos preços. Os modelos utilizados pelo próprio banco não apontavam, antes do movimento recente, para um prêmio de risco excepcionalmente elevado.

Isso significa que, a partir dos níveis atuais, novos ganhos dependerão menos da expectativa e mais da entrega efetiva de medidas econômicas.

Colômbia mostra que o movimento pode continuar

O comportamento dos ativos colombianos após a última eleição é utilizado pelo JPMorgan como uma referência para o que pode acontecer no Brasil.

Na Colômbia, a redução do prêmio de risco não ocorreu de uma só vez. Mesmo depois da eleição, os títulos continuaram se valorizando por algum tempo. Posteriormente, parte desse ganho foi devolvida em meio à alta dos juros internacionais e à frustração dos investidores com a condução fiscal.

O caso brasileiro, contudo, apresenta diferenças importantes.

A queda das taxas registrada no primeiro pregão foi mais de duas vezes maior, em pontos-base, do que a observada na Colômbia. Além disso, o mercado brasileiro chegou rapidamente a níveis que os ativos colombianos demoraram semanas para alcançar.

A política monetária também coloca os dois casos em posições diferentes. Na Colômbia, o mercado demorou mais para incorporar uma possível redução dos juros. No Brasil, os cortes já fazem parte da trajetória da política monetária, tornando mais fácil projetar uma flexibilização adicional.

O desafio agora é transformar expectativa em resultado

A tese positiva do JPMorgan para o Brasil depende, portanto, de uma sequência de eventos.

Primeiro, uma definição política considerada favorável pelos investidores poderia reduzir ainda mais o prêmio de risco. Em seguida, uma política fiscal mais consistente ajudaria a sustentar a valorização do real.

A moeda mais forte teria impacto sobre a inflação, favorecendo as expectativas de preços. Com esse quadro, o Banco Central ganharia condições para continuar reduzindo os juros.

Esse mecanismo poderia criar um ciclo de retroalimentação positiva entre câmbio, inflação, política monetária e percepção fiscal.

O banco, no entanto, não prevê uma queda abrupta da Selic. A expectativa continua sendo de um processo gradual de flexibilização.

Depois da forte alta registrada pelos ativos brasileiros imediatamente após o primeiro turno, o próximo passo dependerá menos da surpresa eleitoral e mais da capacidade de o novo cenário político produzir resultados concretos na área fiscal.

É justamente essa entrega que, na avaliação do JPMorgan, determinará se o rali do real e dos juros ainda terá fôlego para continuar.

Agora a estrutura e a redação estão bem mais distantes do texto-base: não é uma substituição mecânica de palavras, mas uma nova construção jornalística a partir das mesmas informações.