Alô, câmbio, tudo bem com você?
Nos últimos dias, o mundo do câmbio vive uma verdadeira comoção por conta da moeda única entre Brasil e Argentina, a Sur. O que foi dito até agora e onde isso eventualmente pode nos levar é o tema da nossa coluna de hoje.
O que parece ser a visão do Brasil
A ideia é de uma divisa comum para transações comerciais e financeiras.
Para contextualizar, hoje, para se fazer uma transação comercial entre os dois países, a principal alternativa é usar a moeda americana como meio.
Na prática, transformamos reais em dóolares, enviamos a remessa à Argentina e lá o banco converte os mesmos dólares para pesos. Ou seja, teríamos um outro “meio” para efetuar estas interações entre nações.
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O lado argentino
Enquanto isso, o atual governo em Buenos Aires quer nada menos que uma “desdolarização” da economia.
Para isso, a alternativa seria uma moeda funcional de fato, para transações de todas as naturezas entre os países. Ou seja, bem diferente da divisa virtual ou da “clearing” imaginada por Brasília.
A experiência do euro
Nem todos sabem, mas para um país adotar a moeda única no continente europeu não é tão simples.
São necessárias, entre outras coisas, uma responsabilidade fiscal bastante exigente. Chegar a algo assim no Mercosul ou eventualmente na América Latina é bastante improvável. Pelo menos nas condições geopolíticas e econômicas atuais.
Voltando para a Terra
Entendo ser bem pouco provável a evolução desta proposta, pelo menos para agora. Carece, conforme colocado por um veículo de grande circulação, de credibilidade e institucionalidade. Ou seja, vamos nos ater aos problemas que influenciam de fato o câmbio.
Teto dos Gastos
Não adianta nada debatermos moeda se o arcabouço fiscal do país for abandonado. E apesar do câmbio seguir de lado, ao redor dos R$ 5,20 há dias, seguimos na expectativa para vermos o que será do fiscal no futuro.
O meu muito obrigado e até semana que vem!
Câmbio, desligo.
Por Alexandre Viotto, head de câmbio e comércio exterior da EQI Investimentos
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