O Bitcoin hoje (21) subia 5,40% por volta das 17h07, cotado a US$ 76.949,56. A criptomoeda chegou a superar US$ 79 mil durante a manhã, antes de devolver parte dos ganhos, e alcançou o maior nível desde maio.
A alta acumulada na semana superava 20%, impulsionada pela reação ao anúncio de recompra de títulos longos pelo Tesouro dos Estados Unidos, pela entrada de recursos nos ETFs e pelo encerramento forçado de apostas na queda do Bitcoin.
Para André Franco, CEO da Boost Research, a velocidade da valorização está diretamente relacionada ao volume de investidores que precisou desmontar posições vendidas após o rompimento das resistências técnicas.
“Quem está vendido precisa recomprar o ativo quando o preço sobe contra ele, e essa recompra forçada empurra o preço mais para cima, o que obriga a próxima leva a recomprar também. É uma escada que sobe sozinha enquanto houver posição para liquidar, e para quando o combustível acaba”, afirma Franco.
Short squeeze leva Bitcoin até US$ 79 mil
O Bitcoin iniciou a semana abaixo de US$ 64 mil e rompeu, em poucos dias, a faixa de consolidação entre US$ 60 mil e US$ 66 mil. A moeda também superou as resistências de US$ 65 mil, US$ 67 mil e US$ 70 mil antes de se aproximar da barreira de US$ 80 mil nesta sexta-feira.
O avanço atingiu uma concentração elevada de posições vendidas acumuladas durante as semanas de baixa volatilidade. Levantamentos citados pelo Investor’s Business Daily apontam que mais de US$ 4,3 bilhões em apostas na queda foram liquidadas no mercado de criptomoedas durante o movimento.
Com o rompimento, a região de US$ 65,6 mil passou de resistência para uma possível zona de suporte. A média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 63,5 mil, também aparece como referência caso ocorra uma realização mais intensa. Acima do preço atual, as próximas resistências estão em US$ 80 mil e US$ 87 mil, segundo a análise da Boost Research.
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Tesouro americano e ETFs sustentam o movimento
O gatilho inicial da disparada ocorreu na quarta-feira (19), quando o Tesouro americano anunciou que ampliará as recompras de títulos públicos com vencimentos entre dez e 30 anos.
A partir de 9 de setembro, o limite de cada operação passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões. A mudança permanecerá em vigor até 4 de novembro, segundo o Tesouro dos Estados Unidos.
O anúncio derrubou inicialmente os juros longos e enfraqueceu o dólar, favorecendo ativos escassos como Bitcoin e ouro. O movimento ganhou força mesmo depois de os rendimentos dos Treasuries voltarem a subir e as bolsas americanas recuarem.
“A leitura de mercado é que o Bitcoin subiu com o juro voltando a avançar e a bolsa caindo, o que separa este movimento de um apetite por risco comum”, avalia Franco.
O fluxo institucional também acompanhou a valorização. Os ETFs à vista de Bitcoin receberam US$ 517 milhões na quarta-feira, dos quais aproximadamente US$ 285 milhões foram destinados ao IBIT, da BlackRock. Na semana, as entradas já superavam US$ 1,6 bilhão, segundo o Investor’s Business Daily.
Apesar da força, Franco alerta que movimentos construídos parcialmente sobre liquidações de posições vendidas podem devolver parte dos ganhos quando esse combustível termina. O Índice de Medo e Ganância avançou para 72 pontos, entrando na zona de ganância e reforçando a possibilidade de maior volatilidade após a disparada.






