Preços do minério de ferro seguem resilientes, mesmo após recuo pontual na semana, em meio a um cenário global ainda marcado por restrições de oferta e sinais construtivos de demanda na China. Segundo relatório do Bradesco BBI, a commodity encerrou o período cotada a US$ 109 por tonelada, queda de US$ 1 após a normalização das operações portuárias na região de Pilbara, na Austrália.
O movimento recente reflete, principalmente, a retomada logística após interrupções causadas por condições climáticas adversas. Ainda assim, o banco destaca que o ambiente segue sustentado por fatores estruturais, como estoques em queda e atividade industrial chinesa em recuperação gradual.
No lado da demanda, indicadores operacionais continuam positivos. A taxa de utilização dos altos-fornos na China avançou, enquanto os estoques de minério de ferro e aço recuaram. Nos portos chineses, o minério brasileiro atingiu o menor nível em sete meses, reforçando a percepção de aperto na oferta disponível, de acordo com o relatório.
Apesar desse quadro, as margens das siderúrgicas voltaram a ceder, o que pode limitar ganhos mais expressivos nos preços da commodity no curto prazo. Ainda assim, a sazonalidade mais favorável da demanda chinesa e pressões inflacionárias de custos — especialmente ligadas ao conflito no Oriente Médio — tendem a oferecer suporte adicional às cotações.
Oferta e custos no radar
Do lado da oferta, a Rio Tinto confirmou a retomada das operações em seus quatro portos em Pilbara, estimando impacto acumulado de cerca de 8 milhões de toneladas nas vendas desde o início da temporada de ciclones. Paralelamente, o mercado acompanha a possível resolução da disputa entre o CMRG e a BHP, o que pode destravar fluxos comerciais atualmente restritos.
Outro ponto de atenção envolve custos operacionais mais elevados. De acordo com o relatório, há sinais iniciais de escassez de combustível em algumas operações mineradoras na Austrália, o que, somado a pressões em energia e frete, tende a sustentar os preços do minério no curto prazo.
No Brasil, os preços do aço permanecem estáveis, com siderúrgicas buscando implementar reajustes a partir de abril. O banco vê maior probabilidade de sucesso no segmento de produtos planos, beneficiado por medidas antidumping, enquanto o mercado de aços longos ainda enfrenta demanda mais fraca e aumento da oferta.
Diante desse cenário, o Bradesco BBI mantém visão construtiva para o minério de ferro e reforça preferência por Vale, destacando a forte geração de caixa, a qualidade superior do produto e a menor sensibilidade da companhia às margens do aço.






