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Mercado Livre larga na frente na “arte da guerra” entre os e-commerces brasileiros

Mercado Livre larga na frente na “arte da guerra” entre os e-commerces brasileiros

BTG Pactual indica que a disputa no e-commerce brasileiro entrou em uma nova fase, em que velocidade de entrega, frete mais barato e monetização do ecossistema definem os vencedores

A guerra do e-commerce no Brasil não é apenas uma disputa por sortimento e preço, ela agora se tornou uma batalha focada em logística, velocidade de entrega e eficiência de custos.

É nesse novo campo competitivo que o Mercado Livre (MELI; MELI34) aparece em vantagem, segundo análise do BTG Pactual (BPAC11), que descreve o cenário atual como uma verdadeira “arte da guerra” entre as plataformas digitais.

Na leitura do banco, a execução logística passou a ser o principal fator competitivo do setor, elevando o padrão de serviço e reduzindo o espaço para modelos de entrega mais lentos no país.

“Uma competição liderada pela logística deixou de ser uma escolha estratégica e passou a ser um requisito básico, comprimindo o espaço para modelos de entrega mais lentos e elevando o padrão de consistência do nível de serviço em escala nacional”, escreveram os analistas do BTG Pactual no relatório setorial sobre varejo e internet no Brasil.

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A nova guerra do e-commerce: logística virou a principal arma

De acordo com o banco, a competição no e-commerce brasileiro vem sendo cada vez mais definida pela capacidade de entregar mais rápido e a custos menores, especialmente em grandes centros como São Paulo.

“A Shopee vem enfatizando ganhos sequenciais na velocidade de entrega no Brasil — cerca de dois dias mais rápida na comparação anual — e, na Grande São Paulo, aproximadamente um em cada três pacotes chega no dia seguinte e quase metade em até dois dias”, destacou o BTG, ao apontar que a melhora na logística permite avanço em categorias de maior valor e consumidores de maior ticket.

Além da Shopee, a Amazon (AMZN; AMZO34) também vem reforçando sua presença operacional no país, ampliando a infraestrutura e prometendo prazos de entrega cada vez mais agressivos, o que eleva o nível competitivo do setor como um todo.

Mercado Livre eleva o nível do jogo ao reduzir o frete grátis

O principal movimento estratégico dos últimos 12 meses, segundo o relatório, foi a decisão do Mercado Livre de reduzir o limite de frete grátis no Brasil de R$ 79 para R$ 19 — uma mudança estrutural voltada à defesa de frequência de compras e do funil de baixo ticket.

“A redução do limite de frete grátis do Mercado Livre no Brasil, de R$ 79 para R$ 19, é o movimento estrutural mais claro dos últimos 12 meses, explicitamente voltado a defender a frequência de compras e o funil de baixo ticket”, afirmou o BTG Pactual.

Na avaliação dos analistas, a medida já vem apresentando resultados operacionais consistentes, com aceleração da demanda e avanço do engajamento dos usuários na plataforma brasileira.

“A administração afirmou que a medida já está gerando resultados fortes, com compradores únicos no Brasil crescendo 29% na comparação anual no 3T25”, escreveu o banco.

Mesmo com a pressão de curto prazo sobre margens, a leitura estratégica é que a companhia optou deliberadamente por priorizar participação de mercado e crescimento de longo prazo, sustentada por ganhos de escala logística e eficiência operacional.

Amazon e Shopee pressionam com velocidade e eficiência logística

A disputa, contudo, permanece intensa, com Amazon e Shopee reforçando suas estratégias logísticas no Brasil para ganhar competitividade.

No caso da Amazon, o diferencial crescente está na escala de infraestrutura e na proposta de valor do Prime, além do fortalecimento do ecossistema de vendedores.

“A Amazon tem sido especialmente explícita sobre a execução no Brasil, citando mais de 200 hubs logísticos, 14 centros de fulfillment e mais de 190 estações de entrega”, destacou o BTG, ao comentar o avanço operacional da companhia no país.

Já a Shopee segue ancorada em eficiência logística estrutural, com redução de custos por pedido e aceleração dos prazos de entrega, o que melhora o mix de categorias e o comportamento de consumo dentro da plataforma.

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As três engrenagens da competição em 2026

Na leitura do BTG Pactual, a competição no e-commerce brasileiro converge para um modelo baseado em três engrenagens estratégicas: frete mais barato, entrega mais rápida e monetização de maior margem.

“As condições competitivas no Brasil estão convergindo para um modelo de três engrenagens: limites menores de frete grátis para ganhar frequência, entregas mais rápidas como nova alavanca de conversão e pools de monetização de maior margem, como publicidade e serviços financeiros”, apontou o banco.

Esse modelo indica que a guerra competitiva deixou de ser centrada apenas em preço ou sortimento e passou a depender da capacidade de financiar a logística por meio de receitas adjacentes, como publicidade, crédito e serviços financeiros.

O fosso competitivo do Mercado Livre

É justamente nessa combinação de logística, escala e monetização que o Mercado Livre aparece à frente dos concorrentes. O BTG avalia que o ecossistema integrado da companhia funciona como um verdadeiro fosso competitivo no mercado brasileiro.

“Nesse sentido, o Mercado Livre está à frente. O ecossistema atual da companhia — com logística financiada por escala, além de pagamentos, crédito e publicidade — funciona como um verdadeiro fosso competitivo”, afirmaram os analistas.

Na prática, isso significa que a empresa consegue sustentar frete mais barato e entregas mais rápidas enquanto monetiza o usuário em múltiplas verticais dentro da própria plataforma, reduzindo a dependência exclusiva das margens do varejo.

O que esperar da guerra do e-commerce no Brasil

A conclusão do BTG é que a intensidade competitiva deve permanecer elevada ao longo de 2026, com tendência de compressão de margens diante dos investimentos crescentes em logística e subsídios ao frete.

“A leitura prática para 2026 é que a intensidade competitiva deve permanecer elevada: os vencedores serão aqueles capazes de continuar comprimindo o custo total de entrega ao consumidor enquanto ampliam a monetização dentro do ecossistema”, concluiu o banco.

Nesse contexto, a “arte da guerra” do e-commerce brasileiro passa menos pela amplitude de sortimento e mais pela excelência operacional. E, ao menos por ora, a combinação de escala logística, frete acessível e monetização do ecossistema coloca o Mercado Livre em posição de liderança nessa nova fase da disputa competitiva do setor.