A queda de 10,6% das ações do Itaú Unibanco (ITUB4) em um mês abriu uma janela de oportunidade que o Santander não quis deixar passar. Os estrategistas Ricardo Peretti e Alice Corrêa recomendam uma operação combinada: comprar ITUB4 e simultaneamente vender Caixa Seguridade (CXSE3), apostando na convergência entre os dois papéis em um horizonte de curto e médio prazo.
O argumento para o lado comprado é direto.
“Apesar das incertezas decorrentes da guerra no Irã, o Itaú segue se destacando como o principal porto seguro entre os bancos brasileiros”, afirmam os estrategistas.
Enquanto o Ibovespa recuou 2,9% e a Caixa Seguridade caiu 3,4% no mesmo período, a queda do Itaú foi de 10,6% – movimento que os analistas consideram exagerado e desconectado dos fundamentos da instituição.
Por que comprar?
A solidez do Itaú está ancorada em sua estrutura de conglomerado.
“A grande escala e a presença diversificada em diversos serviços financeiros resultam em menor volatilidade dos lucros”, destacam Peretti e Corrêa.
Historicamente, o banco protege sua carteira em momentos de volatilidade do mercado, entregando estabilidade superior à dos pares privados.
Olhando à frente, o Santander espera aceleração na concessão de crédito em segmentos específicos, com o banco tendo estabilizado sua inadimplência. O guidance de 2026 aponta para lucro líquido de R$ 51 bilhões no ponto médio — em linha com as projeções do banco e do consenso.
No lado vendido, a lógica é igualmente clara.
“Continuamos a observar um declínio no interesse dos investidores no setor de seguros em geral, dada a falta de catalisadores em meio à proximidade do ciclo de flexibilização monetária pelo Banco Central”, explicam os estrategistas.
Com a Selic em trajetória de queda, o apelo das seguradoras – que se beneficiam de receitas financeiras sobre as reservas técnicas – tende a diminuir, enquanto os bancos, ao contrário, se beneficiam da retomada do crédito.
A resolução do conflito no Oriente Médio adicionaria outro vetor positivo para a operação: uma melhora no sentimento dos investidores tende a favorecer bancos mais do que seguradoras, ampliando o diferencial entre os dois ativos.






