O Bitcoin hoje (24) subia 2,75% por volta das 12h31, cotado a US$ 79.872,80. A criptomoeda chegou a ficar a menos de US$ 130 da barreira psicológica dos US$ 80 mil e atingiu a maior cotação desde maio.
O BTC começou o dia perto de US$ 77,7 mil, recuou momentaneamente para menos de US$ 77 mil e acelerou ao longo da manhã. A máxima desta segunda-feira superou o pico de US$ 79.455 registrado na sexta-feira (21), que até então representava o maior preço em três meses.
O avanço dá continuidade à valorização de aproximadamente 22% registrada na semana passada, o melhor desempenho semanal desde março de 2024. O Bitcoin também caminhava para a sexta alta consecutiva, período no qual acumulava valorização próxima de 25%, segundo o MarketWatch.
Short squeeze e liquidez impulsionam Bitcoin
A alta desta segunda-feira representa uma continuação do movimento iniciado na semana passada, após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar a ampliação das recompras de títulos públicos de longo prazo.
A medida melhorou as expectativas de liquidez, reduziu inicialmente os rendimentos dos Treasuries e aumentou o apetite por ativos alternativos. O avanço também foi intensificado pelo encerramento compulsório de posições vendidas.
De acordo com a Bitfinex, aproximadamente US$ 3 bilhões em posições vendidas no mercado de criptomoedas foram liquidadas em dois dias. Ao mesmo tempo, o interesse em aberto nos contratos futuros de Bitcoin continuou aumentando, indicando a entrada de novas operações no mercado.
Naeem Aslam, analista da Zaye Capital Markets, atribui o rali à combinação entre melhora das expectativas de liquidez, redução do prêmio de risco regulatório e cobertura forçada de posições vendidas. Para ele, a próxima etapa dependerá da capacidade do Bitcoin de transformar o rompimento dos US$ 77 mil em demanda consistente, segundo a Barron’s.
“Nada disso garante que o mercado entrará em linha reta de alta. Mas o conjunto de sinais técnicos, fluxo institucional e narrativa macro torna cada vez mais forte a leitura de que o pior da baixa pode ter ficado para trás”, afirma Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin.
O rompimento também levou o BTC para cima da média móvel de 200 dias, atualmente próxima de US$ 69 mil. Segundo Fontes, a manutenção acima desse patamar ajudaria a confirmar uma transição mais clara de um ciclo de baixa para um novo ciclo de alta.
Os próximos níveis técnicos indicados pelo Mercado Bitcoin ficam próximos de US$ 82 mil e US$ 89 mil. A Bitfinex, entretanto, observa que o volume de Bitcoin movimentado na rede permanece perto das mínimas de oito anos. Para que o avanço se sustente após o short squeeze, será necessário um aumento efetivo da demanda.
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ETFs confirmam demanda institucional
Os ETFs à vista de Bitcoin negociados nos Estados Unidos receberam US$ 1,92 bilhão em entradas líquidas na semana encerrada em 21 de agosto. Foi o melhor resultado de 2026 e o maior fluxo semanal desde outubro de 2025.
As entradas ajudaram a confirmar a melhora da demanda institucional, embora não apareçam isoladamente como o gatilho da alta. O movimento também foi favorecido pela ausência de novas vendas da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin.
A companhia informou que não comprou nem vendeu a criptomoeda pela segunda semana consecutiva. Com isso, manteve uma reserva de 840.447 bitcoins e interrompeu uma sequência anterior de quatro semanas na qual havia vendido 6.916 unidades, conforme o MarketWatch.
A tese de proteção contra a desvalorização das moedas também voltou ao radar. Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, afirmou que economias como Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia, China e Japão podem enfrentar problemas relacionados à dívida. Nesse cenário, ativos não emitidos por governos, como ouro e Bitcoin, poderiam apresentar desempenho relativamente positivo, segundo o MarketWatch.
Apesar do cenário favorável, André Franco, CEO da Boost Research, alerta para o risco de o investidor tomar decisões impulsivas depois de movimentos expressivos.
“Quanto mais o preço balança e quanto mais o ativo aparece no noticiário, mais convites o investidor recebe para fazer alguma coisa. E o convite costuma chegar sempre no mesmo momento, depois da alta, que é quando a manchete existe”, afirma Franco.
No curto prazo, a barreira dos US$ 80 mil passa a ser o principal ponto de atenção. Um rompimento consistente abriria espaço para o teste dos US$ 82 mil, enquanto a perda dos US$ 77 mil poderia indicar uma realização de lucros após seis sessões de forte valorização.






