Um Bitcoin a US$ 53 mil segue no campo das possibilidades. É o que aponta a Glassnode em relatório desta quarta-feira (8), ao mapear até onde o atual mercado de baixa pode se estender.
“A banda inferior do intervalo, próxima do Realized Price em US$ 53 mil, permanece uma possibilidade que não pode ser descartada”, diz o documento.
O cenário não é o mais provável, mas o desconto atual já dura tempo demais para ser ignorado. Desde o início de fevereiro, o preço opera abaixo do custo médio dos investidores ativos (US$ 76,6 mil) e do ponto de equilíbrio dos compradores recentes (US$ 72,2 mil).
“Trata-se de um dos episódios de valor profundo mais prolongados da história do Bitcoin“, afirma a Glassnode, mesmo após a recuperação de US$ 58,3 mil para US$ 64,4 mil na última semana.

Veteranos jogam a toalha
Quem mais vende, hoje, é quem comprou no topo e segurou por meses. A fatia das perdas realizadas por detentores de longo prazo saltou de 15% em fevereiro para 43% do total.
“A capitulação movida pela frustração dessa coorte é a maior força isolada pressionando o preço”, observa o relatório — cada tentativa de alta esbarra numa nova onda de distribuição desse grupo.
Em dólares, o quadro impressiona: as perdas cristalizadas por esses investidores atingiram o pico de US$ 280 milhões por dia, recorde desde dezembro de 2022. Ao contrário da primeira onda de capitulação do ciclo, esta ainda não arrefeceu.
“Até que essa métrica se comprima de forma relevante, o caminho para uma transição crível de volta ao bull market segue obstruído”, alerta a Glassnode.
ETFs ainda sangram
No mercado institucional, a hemorragia diminuiu, mas não estancou. Os fundos de índice à vista nos Estados Unidos passaram de saídas de US$ 193 milhões por dia no início de junho para US$ 88,9 milhões atualmente.
O volume negociado, entre US$ 650 milhões e US$ 950 milhões diários, está 80% abaixo do pico de outubro de 2025.
“A demanda institucional ainda não se estabilizou”, resume o documento.
Proteção mais barata nos derivativos
Há, contudo, sinais de virada na ponta dos derivativos. A relação entre puts e calls caiu a 0,56, a mais baixa de 2026 — cerca de duas apostas de alta para cada uma de baixa —, e o custo da proteção contra quedas recuou.
O preço à vista, entretanto, opera 6% abaixo do max pain de US$ 66 mil, e a superfície de opções segue precificando risco de queda em todos os vencimentos.
Somadas as três camadas — dados on-chain, fluxos e derivativos —, a leitura é de um fundo em construção, ainda sem carimbo de confirmação.
“As condições para o processo de fundo estão postas, mas os sinais de confirmação ainda não chegaram”, conclui a Glassnode, que lista os pré-requisitos: esfriamento da capitulação, estabilização dos fluxos institucionais e, idealmente, a retomada sustentada dos US$ 76,6 mil.
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