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Inflação em 2022: quais são as perspectivas?

Inflação em 2022: quais são as perspectivas?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

02 Jan 2022 às 19:00 · Última atualização: 08 Jun 2022 · 7 min leitura

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02 Jan 2022 às 19:00 · 7 min leitura
Última atualização: 08 Jun 2022

Pixabay

A inflação em 2022 deverá ficar acima de 5%, de acordo com relatório Focus do Banco Central divulgado próximo do fim de dezembro.

A pesquisa reflete dados colhidos no final de novembro em mais de 100 instituições financeiras. Se as projeções se confirmarem, 2022 será o segundo ano consecutivo de estouro da meta de inflação.

Para entender os motivos pelos quais o mercado acredita na manutenção da inflação em 2022, confira a seguir a opinião da equipe de economia do BTG Pactual (BPAC11) e de outros profissionais do mercado.

Expectativas para a inflação em 2022

De acordo com o BTG, a inflação mensal vem apresentando níveis historicamente elevados. Além disso, o banco destaca a pressão dos preços de bens industriais e serviços, e o fato de que a alta dos combustíveis compensou a pequena desaceleração dos preços de alimentos e energia elétrica.

Por outro lado, dúvidas em relação ao cenário fiscal influenciam as expectativas de inflação também no médio prazo. Além disso, os economistas apontam riscos para o segmento de alimentos e custos elevados para a indústria como fatores que os levam a revisar para cima a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo, usado para as metas oficiais do governo) de 2022.

Economistas ouvidos pelo portal G1 em dezembro avaliaram que o atual cenário para a inflação está mais complicado do que no início da pandemia. Nesse sentido, atribuíram como principais motivos a alta dos preços de commodities, como alimentos e petróleo, a falta de insumos, a crise energética e as dificuldades de transporte (frete). Logicamente, sem esquecer dos fatores políticos, que pressionam o dólar e, consequentemente, os preços no mercado interno.

Na mesma entrevista, Alexandre Schwartman, ex-diretor do Banco Central, declarou ao portal que será uma derrota para toda a equipe econômica se a inflação ficar acima do teto de 5% em 2022, como espera o mercado financeiro. De acordo com ele, está evidente que a deterioração das expectativas de inflação acompanhou as perspectivas de piora do lado fiscal nas contas públicas.

Ele disse ainda que o ano de 2021 não foi o problema. Mas sim, a perspectiva de ocorrer um quadro fiscal pior para este os próximos meses.

O ex-diretor ainda aponta como outro agravante, o fato do governo não ter conseguido aprova nenhuma outra reforma desde a previdenciária.

Alta da taxa Selic

A taxa de juros é uma das principais armas de política monetária no controle da inflação. Por isso, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2021, em 8 de dezembro, a Selic subiu para 9,25% ao ano.

Pelos motivos que vimos acima, a equipe econômica do BTG avalia que a próxima reunião do Copom trará novo aumento de juros de 1,5 ponto percentual. E a expectativa é de que a escalada da Selic continue após a primeira reunião de 2022, em direção ao patamar de 11,75%.

Segundo o BTG, o tom mais duro do Copom no comunicado após a última reunião também ressaltou a perseverança no sentido de consolidar o processo de desinflação e de ancorar as expectativas inflacionárias. Por todos os motivos vistos anteriormente, a projeção de inflação em 2022 do BTG foi revisada para cima, passando de 4,6% para 5%.

Leia também: Inflação em alta: saiba como proteger seus investimentos do aumento de preços | Eu Quero Investir

Inflação no mundo

Nesse sentido, o banco destaca ainda que, ao contrário de 2015, a inflação no Brasil dessa vez é parte de um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos, por exemplo, acumulado dos últimos 12 meses até novembro foi de 6,8%, o maior índice em quase 40 anos.

Praticamente, todos os países tiveram que lidar com os mesmos problemas de oferta de energia, preço do frete, falta de componentes para a indústria, entre outros. No entanto, isso se refletiu de forma mais grave no Brasil, por causa da desvalorização do real e das incertezas quanto às questões fiscais.

Projeção de alta para a inflação de alimentos

De acordo com o BTG, deverá ocorrer uma desaceleração na inflação de alimentos em 2022. Nesse sentido, os motivos são a dissipação do efeito de choques climáticos recentes, do repasse da alta de commodities e da depreciação cambial.

Porém, a projeção de aumento de safra no ano que vem poderá não ser tão otimista. Isso porque os custos de produção do agronegócio têm crescido com a alta de commodities energéticas. Dados do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), mostram que somente os fertilizantes subiram cerca de 130%, e há risco de desabastecimento do produto. Além disso, o fenômeno climático La-Niña pode ocasionar clima desfavorável no Rio Grande do Sul, o que prejudicará a safra.

Por fim, o preço da carne tem apresentado recuperação desde a queda que ocorreu por causa da suspensão das exportações para a China. Se o país retomar as compras do Brasil, isso pode elevar mais ainda o preço da carne bovina.

Por todos esses motivos, a equipe do BTG Pactual revisou para cima a projeção da inflação de alimentos para 2022.

Projeção de alta para a inflação de bens e serviços

De acordo com a pesquisa Focus, os custos para a indústria continuam em alta. Nesse sentido, o IPA (Índice de Preços por atacado) registra inflação elevada, o que corrobora para continuarem os repasses de custos para o consumidor, tanto em bens quanto em serviços.

Essas são as razões que levam o BTG a ajustar para cima também a inflação de bens e serviços.

Incertezas trazidas pela variante Ômicron

Outro ponto a considerar na expectativa da inflação em 2022 é a nova variante Ômicron. Atualmente, ainda é cedo para avaliar totalmente as consequências. Isso porque um novo impacto está associado à intensidade na nova onda de Covid-19 trazida pela nova cepa.

Se houver novamente confinamentos ao redor do mundo, isso ocasionará a queda no preço dos combustíveis. Além disso, a redução da mobilidade social levaria também à desaceleração da inflação de serviços.

Por outro lado, uma nova onda da pandemia poderia pressionar os preços da indústria, principalmente se houvesse o fechamento de fábricas. Por fim, há também a possibilidade de aumento de gastos do governo com uma nova onda, dependendo da intensidade.

Considerações finais

Por tudo o que vimos, o BTG avalia que a inflação deverá fechar 2021 em 10%, e as expectativas para 2022 e 2023 devem superar a meta. Nesse sentido, a projeção do banco para o IPCA em 2022 é de 5,0%.

O banco acredita que o BC deve continuar endurecendo nas próximas reuniões do Copom, mantendo a Selic perto de 12% durante todo o ano.

De acordo com os economistas do BTG, nem o aperto do Banco Central deverá recuperar a atividade econômica no ano que vem. Segundo eles, “taxa de juros mais alta e atividade econômica mais fraca no segundo semestre de 2021 devem nos levar a um crescimento próximo de zero em 2022. Mesmo assim, a inflação só deverá convergir para a meta em 2023.”

IPCA – expectativas anuais:

IPCA – acumulado em 12 meses:

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