A Taxa de desocupação é de 10,5% e a taxa de subutilização é de 22,5% no trimestre encerrado em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e mostram que a taxa de desocupação (10,5%) do trimestre móvel de fevereiro a abril de 2022 recuou 0,7 ponto percentual em relação ao trimestre de novembro de 2021 a janeiro de 2022 (11,2%) e 4,3 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.
Também apontam que essa é a menor taxa de desocupação para um trimestre encerrado em abril desde 2015, quando foi de 8,1%. A população desocupada (11,3 milhões de pessoas) recuou 5,8% (menos 699 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (12,0 milhões de pessoas) e 25,3% (menos 3,8 milhões de pessoas desocupadas) em relação ao mesmo período do ano anterior (15,2 milhões de pessoas).
Já o contingente de pessoas ocupadas foi estimado em aproximadamente 96,5 milhões, recorde da série iniciada em 2012, com alta de 1,1% ante o trimestre anterior (1,1 milhão de pessoas) e de 10,3% (9,0 milhões de pessoas) ante o mesmo período do ano anterior. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar), estimado em 55,8%, apresentou alta de 0,5 ponto percentual frente ao trimestre anterior e de 4,8 pontos percentuais ante igual trimestre do ano anterior (51,1%).
A taxa composta de subutilização (22,5%), por sua vez, caiu 1,4 ponto percentual em relação ao trimestre de novembro de 2021 a janeiro de 2022 (23,9%) e 7,1 pontos percentuais na comparação com o trimestre encerrado em abril de 2021 (29,6%). É a menor taxa para o trimestre desde 2016 (20,1%). A população subutilizada (26,1 milhões de pessoas) teve queda de 6,0% (menos 1,7 milhão) frente ao trimestre anterior (27,8 milhões) e de 22,5% (menos 7,6 milhões) na comparação anual (33,7 milhões).
De igual modo, a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (6,6 milhões de pessoas) apresentou redução, em relação ao trimestre anterior, de 5,3% (menos 369 mil pessoas). Em relação ao trimestre encerrado em janeiro de 2022, a queda foi de 10,0% (menos 730 mil pessoas).
Em linha, a população fora da força de trabalho (64,9 milhões de pessoas) manteve-se estável quando comparada com o trimestre anterior e caiu 5,3% (menos 3,6 milhões de pessoas) na comparação anual.
“Estimativa do BTG Pactual apontava para uma taxa de 10,70%.”
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IBGE: população desalentada
Ainda de acordo com o IBGE, a população desalentada (4,5 milhões de pessoas) caiu 6,4% em relação ao trimestre anterior (menos 303 mil pessoas) e 24,6% (menos 1,5 milhão de pessoas) na comparação anual. O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada (4,0%) caiu 0,3 ponto percentual frente ao trimestre anterior e 1,5 p.p. frente ao mesmo trimestre do ano anterior, quando foi de 5,4%.
A instituição informa que o número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (exclusive trabalhadores domésticos) foi de 35,2 milhões de pessoas, subindo 2,0% (690 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 11,6% (acréscimo de 3,7 milhões de pessoas) na comparação anual.
Também traz que o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (12,5 milhões de pessoas) foi o maior da série. Este contingente apresentou estabilidade em relação ao trimestre anterior e teve alta 20,8% (2,2 milhões de pessoas) no ano.
E acrescenta que o número de trabalhadores por conta própria (25,5 milhões de pessoas) manteve-se estável na comparação com o trimestre anterior, mas subiu 7,2% (mais 1,7 milhão de pessoas) no ano.
Já o número de trabalhadores domésticos (5,8 milhões de pessoas) apresentou estabilidade no confronto com o trimestre anterior e subiu 22,7% (mais 1,0 milhão de pessoas) no ano.
O número de empregadores (4,1 milhões de pessoas), por sua vez, apresentou estabilidade em relação ao trimestre anterior e cresceu 11,2% (414 mil pessoas) em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.
IBGE: destaques da Pnad:
- ▪️Construção contrata 74 mil trabalhadores
▪️Indústria contrata 128 mil trabalhadores
▪️Comércio contrata 32 mil pessoas
▪️Transporte contrata 152 mil pessoas
▪️Agricultura demite 148 mil trabalhadores
▪️Alojamento e Alimentação contratam 72 mil pessoas
▪️Outros serviços contratam 233 mil pessoas
▪️Adm Publica, Educação e Saúde contratam 251 mil pessoas
IBGE: Pnad por setores
O Instituto destaca também que o número de empregados no setor público (11,5 milhões de pessoas) apresentou estabilidade nas duas comparações.
Já a taxa de informalidade foi de 40,1% da população ocupada, ou 38,7 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido de 40,4% e, no mesmo trimestre do ano anterior, 39,3%.
O rendimento real habitual, de R$ 2.569 no trimestre encerrado em abril, apresentou estabilidade frente ao trimestre anterior e redução de 7,9% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. A massa de rendimento real habitual (R$ 242,9 bilhões) cresceu frente ao trimestre anterior e ficou estável na comparação anual.
No trimestre móvel de fevereiro a abril de 2022, a força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), estimada em 107,9 milhões de pessoas, apresentou aumento de 0,4% (384 mil pessoas) em comparação ao trimestre de novembro a janeiro, e acréscimo de 5,1% (5,2 milhões de pessoas) frente ao mesmo trimestre do ano anterior. Este é o maior contingente de pessoas na força de trabalho da série.
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Pnad por grupos de atividades
A pesquisa elenca, também, que entre os grupamentos de atividades, frente ao trimestre móvel anterior, houve aumento no grupamento de Transporte, armazenagem e correio (3,1%, ou mais 152 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,5%, ou mais 251 mil pessoas) e Outros serviços (4,8%, ou mais 233 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.
Ante o trimestre encerrado em abril de 2021, houve alta em: Indústria Geral (9,4%, ou mais 1,1 milhão de pessoas), Construção (14,6%, ou mais 940 mil pessoas), Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (13,7%, ou mais 2,2 milhões de pessoas), Transporte, armazenagem e correio (11,7%, ou mais 525 mil pessoas), Alojamento e alimentação (29,2%, ou mais 1,2 milhão de pessoas), Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (4,0%, ou mais 446 mil pessoas), Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,5%, ou mais 562 mil pessoas), Outros serviços (21,4%, ou mais 903 mil pessoas) e Serviços domésticos (22,6%, ou mais 1,1 milhão de pessoas). Apenas Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura não apresentou variação significativa.
Taxa composta de subutilização – Trimestres de fevereiro a abril – Brasil – 2012 a 2022 (%)
Quanto ao rendimento médio real habitual (R$2.569,00), ante o trimestre móvel anterior, não houve crescimento em qualquer atividade. Houve redução no grupamento de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (2,5%, ou menos R$ 93).
Na comparação anual também não houve crescimento em qualquer grupamento de atividade, com redução em: Indústria (6,5%, ou menos R$ 175) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (14,7%, ou menos R$ 623).
Entre as posições de ocupação, ante o trimestre móvel anterior, aumento na categoria de Empregado sem carteira de trabalho assinada (4,3%, ou mais R$ 71). Houve redução na categoria de Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) (2,2%, ou menos R$ 88). Na comparação com o trimestre de fevereiro a abril de 2021, não houve crescimento em qualquer categoria.
Tá, e daí?
Para o BTG Pactual, os números da Pnad surpreendem positivamente e recuam para o menor patamar desde 2016.
O banco de investimentos destaca, em nota, que no trimestre móvel encerrado em abril, a taxa de desemprego sem ajuste sazonal apresentou uma queda de 0,7% em relação ao trimestre de novembro de 21 a janeiro de 22, enquanto com relação ao mesmo período do último ano, a taxa recuou 4,3%. A taxa com ajuste sazonal recuou para 10,1%. Os dados estão no menor patamar desde o início de 2016.
Também disse que na comparação mensal, a população ocupada apresentou avanço expressivo, enquanto População Economicamente Ativa avançou na margem, levando a queda da taxa de desocupação. Na série com ajuste sazonal, a melhora na taxa também foi puxada pelo aumento da população ocupada.
E acrescentou que no breakdown do indicador, observamos uma composição positiva, com a manutenção do rendimento médio habitual com relação ao último trimestre e avanço marginal (0,6%) ante o dado de março. Além disso, destaque para a redução de 6,0% da população subutilizada e de 6,4% da população desalentada. A taxa de informalidade ficou estável em 40,1%.
E para frente?
O BTG diz esperar, para os próximos meses, uma continuidade do avanço no mercado de trabalho, impulsionado pela melhora no sentimento com a atividade econômica, movimento que já pode ser observado na divulgação das últimas sondagens calculadas pela FGV, especialmente na sondagem para a situação atual.
Para o segundo semestre de 2022, o banco de investimentos diz esperar um arrefecimento do mercado de trabalho, refletindo uma desaceleração da atividade econômica influenciada pelo efeito da taxa Selic em patamares contracionistas.
“Ressaltamos que dados melhores para a Renda e mercado de trabalho podem significar mais pressões inflacionárias à frente”, destacou.






